ISIS
O primeiro dia com o Gustavo foi tranquilo mesmo ele me provocando, ele parece ser uma pessoa legal por trás da máscara de mal humor fico pensando no encontro, que quase aconteceu como ele era tantas coisas acontecem em um ano na vida de uma pessoa será que ele foi sempre assim, uma coisa posso dizer ele é realmente bonito como a foto mostrava.
No segundo dia sequer consegui conversar com ele pois ele me expulsou do quarto assim que entrei, ele ficou o dia todo deitado na cama só fui para levar suas comidas ele comeu muito pouco somente o necessário o dia todo.
Hoje no terceiro dia ele está com um mal humor terrível tudo o que eu faço não tá bom é uma reclamação atrás da outra, me sinto uma inútil estamos no seu quarto estou lhe entregando pela quarta vez um livro diferente.
Ele tem alguns livros em Braille então não tenho ideia de como identificar o que ele está pedindo.
Gustavo: — Você não sabe contar é tão simples ele é o quarto na ordem!
Isis: — Então alguém mexeu aqui pois já te entreguei o livro e o senhor disse que não era!
Gustavo: — Me deixa sozinho!
Eu saio antes de explodir, vou até o jardim fico sentada perdida em pensamentos quando dona Márcia se aproxima.
Márcia: — Ele está impossível nestes últimos dias não é?
Isis: — Sim a senhora não tem idéia!
Márcia: — Ele tocou algum objeto em você?
Olho espantada.
Isis: — Ele costuma fazer isso?
Márcia: — Uma vez aconteceu, ele disse que foi sem querer que ela não foi rápida ao bastante para se esquivar que ele queria acertar a parede.
Márcia: — Queria pedir por favor querida não desista dele, eu sei que ele não é fácil mas sei que ele gostou de você mesmo não parecendo.
Isis: — Por que acredita nisso?
Márcia: — Pequenos sinais ele nunca convidou as outras acompanhantes para almoçar com ele, e não me procurou pedindo para demitir você.
Isis: — Ele é bem difícil.
Márcia: — Ele está sofrendo muita coisa mudou na vida dele derepente.
Isis: — Faz tempo que ele perdeu a visão?
A olho e seus olhos ficam cheios de lágrimas droga não deveria ter perguntado.
Márcia: — Pouco tempo.
Márcia: — Ele era cheio de vida você deveria ter visto ele tocando piano era maravilhoso.
Ela me dá um sorriso fraco toca no meu ombro e saí andando para retornar para casa.
Tenho uma ideia chamo dona Márcia pedindo para dar uma saída rápida, pois preciso comprar algo como sei que o Gustavo deita por uma hora depois do almoço não ia precisar de mim e também sei que ele está me evitando mesmo não vai me chamar.
Vou no quarto e compro pela ‘internet’ três partituras em Braille paguei bem caro, mas ganhei um dinheiro bom razoável quando saí do café diz que vão entregar ainda hoje em duas horas, espero que sejam boas não entendo nada disso. Arrumo-me e saio pego um táxi e vou a uma papelaria compro alguns adesivos em formato de círculos com texturas diferentes.
Volto para casa do Gustavo encontro o Davi que chegou para a aula.
Davi: — A fera voltou?
Isis: — Sim.
Davi: — Não desiste ele é uma ótima pessoa, depois que ele derruba a muralha que ele constituiu ao redor dele.
Isis: — É a segunda pessoa que me fala isso para não desistir hoje.
Davi: — Queremos o bem dele, deixa eu ir não quero deixar ele esperando e deixar o humor dele pior.
Isis: — Eu agradeço.
Sei que eles vão ficar na sala de estudos por um tempo olho na ‘internet’ pesquisando o que cada teclas do piano representa e vou a colar os adesivos para diferenciar.
Depois chega às partituras e coloco em cima do piano, como não sei que música ele gosta então optei por duas clássica e outra popular.
E saio do quarto depois da aula ele volta para o quarto, eu toda alegre o chamo para perto do piano e falo das partituras e mostro o que fiz com os adesivos, pensei que ele ficaria feliz, mas não foi o contrário ele está com raiva.
Gustavo: — Quem lhe deu autorização para tocar nas minhas coisas no meu piano!
Isis: — Eu queria ajudar.
Gustavo: — Eu pedi a sua ajuda!
Gustavo: — Esse piano era do meu pai e encheu de adesivos.
Isis: — Eu não sabia, só me disseram que amava tocar pensei que poderia ajudar.
Gustavo: — Achou errado!
Isis: — Então fica aí reclamando, de tudo como um pobre coitado.
Falo baixinho, droga pela sua expressão ele ouviu ele se aproxima a chegar muito perto de mim consigo sentir a sua respiração tocando o meu rosto o que me desconcerto.
Gustavo: — Coitado, Isis não sabe o que está a falar eu tinha uma vida movimentada eu tinha um trabalho que se destacava, amor pela música e tudo me foi tirado, Isis não tem ideia de o que acordar numa manhã em plena escuridão e saber que não tem cura após procurar vários médicos.
Gustavo: — Eu nunca mais vou observar o sol, as estrelas nada uma cor se quer sabe Isis o que é ter medo diariamente de se esquecer de como é o rosto da sua própria irmã o seu sorriso, nunca vou ver ela envelhecer na minha memória ela vai ser sempre jovem. Se eu conhecer alguém e apaixonar-me o que posso oferecer a essa pessoa eu nunca vou conhecer o seu rosto.
Gustavo: — Se eu tiver um filho não vou conhecer o seus braços então não venha-me dizer que estou-me fazendo de coitadinho, pois não conhece a minha dor eu estou vivendo como eu consigo, e não pense já não pensei em acabar com isso tudo, mas nunca faria isso com a minha irmã provocaria essa dor.
Eu não consigo controlar as minhas lágrimas.
Gustavo: — Penso que por hoje já fomos longe de mais até a próxima semana Isis.
Vou para o meu quarto e jogo-me na cama não deveria ter tocado no piano que era do pai dele. Eu fui cruel quando falei o chamei coitado, cortou-me o coração saber o que ele senti sinto-me egoísta por ficar a querer exigir alegria um bom humor dele sabendo por tudo que ele passou. Ainda bem que vou para casa amanhã estou-me sentindo sufocada quero muito ver o meu irmão pessoalmente.
Acabo nem jantando e vou dormir, no meio da noite sou acordada pelo som do piano pergunto-me se ele realmente está a tocar ou estou a sonhar levanto da cama saio do quarto e paro na sua porta não estou a sonhar ele realmente está a tocar o piano, sento-me no chão encostada na sua porta abraçando as minhas pernas é uma música clássica linda e muito triste uma lágrima escorre pelo meu rosto não sei explicar o quanto tem de tristeza e solidão dentro
desta melodia.
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Atualizado até capítulo 100
Comments
Isabel Esteves Lima
É difícil de uma hora para outra perder a visão.
2025-03-28
0
Euridice Neta
Ela só quis ajudar e ele não entendeu, mais deve ter pensado e mudado de ideia
2024-01-30
7
Rose Carvalho
chorei
2023-08-12
4