Douglas correu para cuidar de tudo e na cabana de Marina não foi diferente, as celas foram transformadas em quartos, com colchões onde eram só os catres e vários móveis úteis para que eles se sentissem confortáveis até estarem bem. Marina se preocupou com todos, mas principalmente com a jovem, costurada por sua mãe, que não saía do lado dela, que finalmente dormira.
A jovem disse se chamar, Lenira e era da Alcateia da Noruega. Tinha sido convidada a vir para a Escócia, para fazer um curso de ervas medicinais e foi levada direto para o laboratório. Marina pensou que seria um ponto de partida, para investigar esses ráptos e pegar os culpados. Mas Lenira não resistiu e dormiu, mesmo tão agitada.
Antes de começar a se arrumar, Marina convenceu sua mãe a ir tomar banho e se arrumar. Elas estavam no corredor quando escutaram seu irmão entrar com sua irmã e seu companheiro, o Alfa da Espanha. Não deu tempo de fazer nada, antes de ouvirem:
— MINHA!!!!
O grito misturado com rosnado, ecoou pela casa como um estrondo e logo Joshua estava a frente delas, com os olhos esbugalhados e farejando o sangue na roupa de sua mãe, falando sem parar:
— Minha, minha, minha…
— Filho — disse Heili — esse sangue não é meu, é de uma jovem que resgatamos.
— Minha… onde ela está?
Elas apontaram o quarto e ele foi rápido para lá e entrou, com elas atrás dele, preocupadas. Ele parou próximo a cama e ficou olhando para a jovem fêmea adormecida. Ela tinha sido limpa com panos úmidos e trocaram sua roupa, mas ainda precisava de um bom banho e lavar bem os cabelos.
— Minha… — ele continuou falando.
— Ela estava na mesa de cirurgia, com a barriga aberta, mas não tinham feito nada além disso ainda. Consegui costura-la e agora ela está dormindo. — Explicou Heili.
Ele sentou-se na beirada da cama, ao lado dela. A cama é de casal e tinha bastante espaço, para que ele não incomodasse ele.
— Eu vou ficar com ela, quero estar aqui quando ela acordar. — Disse ele, tirando os sapatos e a blusa e deitando-se junto a ela, com cuidado.
— Sim, isso vai ajudá-la. — Disse Heili, vendo seu filho encostar o corpo em sua companheira. — Vamos, Marina, agora estou mais tranquila, ela logo vai se curar. Nada como a força de um companheiro, para curar uma fêmea.
— Sim. Estou feliz, todos nós encontramos nossos companheiros, apesar dos problemas.
Elas foram se arrumar. Sua estrutura lupina dava resistência à humana e assim, não estavam cansadas. Tomaram um banho revigorante e lavaram todos os vestígios do dia. Principalmente Heili, que tinha sangue espalhado pelo corpo. Se vestiram e desceram, sendo recepcionadas pelo supremo, que ficou orgulhoso de suas fêmeas, companheira e filha.
Marina estava com um vestido de renda, branco. Era sem alças, com um corpete, também branco, ajustado por cordões na cintura, dando mais volume aos seios. A saia era godê, solta, rodeando as pernas conforme ela andava e tinha no bordado, pequenas contas de cristal, que brilhavam conforme a luz batia.
— Uma verdadeira noiva, linda, minha filha. — Disse o Supremo.
— Joshua chegou, mas reconheceu a jovem resgatada como sua companheira e está lá com ela.
— Aquela que estava com a barriga aberta?
— Sim. Ela se chama Lenira e parece uma curandeira. Contou algumas coisas que nos serão úteis, mas teremos que esperar. — Contou Heili.
— Sim, é melhor irmos, antes que o Alfa venha correndo atrás de sua fêmea.
Saíram todos e entraram na SUV do Alfa, com um motorista da Alcateia que conhecia o caminho.
Douglas andava de um lado para o outro, preocupado com a demora de sua fêmea, não aguentava de ansiedade, até avistar o carro chegando. Uivou alto e toda a Alcateia se reuniu para assistir ao enlace. Ele esperou sobre o pequeno palanque e o supremo caminhou, levando sua filha, pelo centro de toda a Alcateia e seguiu até o Alfa.
O curandeiro da Alcateia, estava parado ao lado do Alfa e quando o supremo chegou, ele perguntou:
— Quem entrega esta femea?
— Eu, seu pai, Supremo Alfa Ramón.
— Quem recebe esta fêmea? — Continuou o curandeiro.
— Eu, Alfa Douglas, seu companheiro. — Disse o Alfa, recebendo a mão de Marina.
— Fêmea Marina, é de pleno consentimento que recebe o Alfa Douglas e toda a responsabilidade que vem com ele? — Perguntou o curandeiro.
— Sim.
— Da mesma forma, Alfa Douglas, aceita Marina, filha dos Supremos Alfas, com toda a responsabilidade que terá com ela?
— Sim.
Então o curandeiro virou-se para os presentes e perguntou:
— Da mesma forma, todos apoiam este enlace?
Foi então que houve a confusão, uns diziam que sim, outros diziam que não e os dois grupos brigavam entre si. O supremo não gostou do desrespeito e liberou sua dominância, deixou vir a tona, sua forma Glabro e falou com voz cavernosa, depois que todos ajoelharam e expuseram seus pescoços:
— Esqueceram que isso é só uma confirmação do que já foi decidido pela nossa mãe Lua? Eu, como vosso supremo, ordeno que se retratem, para que a festa continue, chega de guerras e dissensões entre nossa própria raça. — Recolheu sua dominância e voltou a forma humana.
O povo se endireitou e voltou a postura normal. O supremo pediu que o curandeiro perguntasse novamente e assim ele fez e dessa vez, não houve discordância, todos disseram um sim sonoro, mas o estrago já estava feito, o coração de Marina se sentiu rejeitada e se encolheu, retendo o amor e a alegria que sentia em fazer parte daquele povo, dentro de si.
Marina não ouviu mais o que foi doto e nem prestou atenção ao que estava acontecendo, sentiu o beijo final do Alfa e a cerimônia acabou. Todos foram para a área onde estava a comida e Douglas ficou olhando para sua companheira, sentindo que alguma coisa não ia bem.
— O que foi, Marina? Você está bem?
— Estou decepcionada. A minha vida toda foi assim e estava feliz por ter te encontrado e finalmente fazer parte de uma Alcateia que me aceitaria como eu sou, mas me rejeitaram.
— Não é assim, meu amor. Eles só precisam te conhecer.
— Nem você, me conhece. Me rejeitaram e fiquei vazia.
— Mas não vai continuar, por que eu estou aqui. Quero que confie em mim. Agora solte sua loba junto comigo.
— Vai rasgar minha roupa!
Ele deu uma gargalhada, não precisariam de roupa.
— Agora, vamos? Um, dois, tre…
A enorme loba branca com mechas negras, surgiu. Uma Alfa cheia de poder e quase maior que o lobo Alfa que estava ao seu lado. O Alfa uivou alto, com a cabeça voltada para a lua e a Luna respondeu e então, toda a Alcateia estava admirando o novo casal de companheiros, Alfas, poderosos e lindos e se transformaram, uivando também e seguiram os dois grandes lobos, que pularam e correram para a floresta.
Começou a caçada!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Cecilia geralda Geralda ramos
tadinha dela ,triste a rejeição /Sob/
2024-12-19
1
Rosaria TagoYokota
vd ele sumiu na historia
2024-09-10
1
Katia Teves
me fiz a mesma pergunta
2024-09-06
0