Martina
Acordamos por volta de meio dia, Henrique estava em pé, perto da janela falando ao telefone, em algum idioma, não sei qual.
A noite tinha sido... boa até. A primeira vez doeu tanto que eu não conseguia pensar como Nina gostava tanto. Mas depois melhorou e muito.
Preciso admitir Henrique sabe das coisas. Acho até que podemos nos dar bem na cama, claro, nunca seremos como meu primo e a Nina que viraram dois melosos! Não quero isso. Mas podemos nos acertar!
Saio dos meus pensamentos quando Henrique desliga e telefone e sai bravo do quarto. Provavelmente não me viu acordada.
Levanto, faço minha higiene no banheiro, ainda bem que tomamos banho antes de dormir, sempre tenho preguiça de tomar banho de manhã.
Estava no closet me vestindo quando ouço barulho de coisas quebrando.
Desço correndo as escadas e Henrique tá rolando com seu irmão Nick no chão.
- parem! / eu digo tentando empurrar eles, mas acabo caindo, o que deixa Henrique mais irritado com seu irmão.
Vejo que no aparador perto da parede de um coldre e uma arma. Corro até ali e pego a arma, não sabia bem o que fazer. Os dois pareciam que iam se matar.
- parem! façam alguma coisa! / grito prós homens que estavam ali apenas olhando mas nenhum me dá bola
Dou um tiro no teto de casa, que faz um barulho enorme e caem vários pedaços de gesso do teto no chão.
Os dois se assustam e param. Henrique me olha surpreso e vem até mim e arranca a arma da minha mão e coloca atrás na sua cintura.
- que porrä! tá maluca Martina! / ele diz bravo, de um jeito diferente...
Nick apenas ri.
- sai da minha casa, ou vou matar você! / Henrique fala apontando pra saída
- ah maninho... sério? só por que eu trouxe a Maya pra cá? vamos apenas curtir um pouco! / Nick diz de um jeito provocativo
- cara, não quero saber o que vão fazer, só fiquem longe de mim! / ele diz
- tá maninho, ficaremos! / Nick diz sorrindo e limpando o nariz que sangrava
Os homens daqui vão levando Nick que parece achar graça de tudo.
Eu toco o rosto do Henrique que tá ficando roxo, mas ele empurra minha mão e diz:
- não Martina! / e sobe a escada
Eu fico sem entender nada e vou atrás do Henrique que quando chego tá no banheiro do quarto, limpando o rosto
- que merda tava acontecendo? / pergunto atrás dele no banheiro
- nada Martina!
- nada não! vocês estavam se socando como se fossem se matar!
- sempre brigamos assim! / ele diz vago
- duvido muito... quem é Maya? / pergunto lembrando do nome que o irmão dele disse
- não é da sua conta! / ele fala e faz careta limpando o canto da boca cortado
- uau! sério? que idiota você é! / eu digo cruzando os braços
Henrique se vira para mim e se encosta na bancada do banheiro
- Martina, escuta... não pode fazer o que fez! Você não pode aparecer e interromper uma briga MINHA com ninguém! Não pode pegar MINHA arma e atirar! / ele diz bravo
- não sabia que era ciumento com suas coisas, machão! / falo de forma irônica
- não tem a ver com ciúme ou querer ser machão Martina, tem a ver com respeito e hierarquia! Daqui uns dias, vou ser nomeado chefe. Não posso ter uma esposa que me desafia e quer me defender! Não posso ter uma esposa que grita mais que eu! / ele diz bravo
- nossa... eu não esperava isso! Acha que vou me sujeitar a essas bobagens de homem? a essa coisa machista e arcaica? Nem pense nisso! / falo
- acha que gosto disso? acha que gosto de ter que viver provando que sou capaz? Eu não gosto! Não gosto da vida que levo! Não gosto do faço e menos ainda do que sou obrigado a fazer! Gosto do perigo e da adrenalina, mas odeio as coisas que preciso fazer, não queria ser eu na linha de sucessão ao título de chefe do cartel Valente, embora se o Henrique se tornasse o chefe.. estaríamos todos ferrados... / ele diz isso e sai do banheiro indo pro quarto
Vou atrás dele.
- não achei que não gostasse dessa vida. Henrique você pode mudar as coisas, vai ser o chefe! aproveite a chance! / falo e me aproximo dele
- Não é assim que funciona na máfia, sabe disse Martina! Não posso mudar anos e anos de pensamentos arraigados e pouco tempo! Não posso e você sabe disso! / ele diz parecendo agoniado
- não pode mudar do dia para a noite, mas pode começar, pode tentar! / falo
Ele ri e bufa ao mesmo tempo.
- Deus Martina, você realmente ficou tempo demais longe de casa, não sabe como são as coisas na máfia! Não funciona assim!
- tá, então espera que eu me sujeite a você na frente de todos? acha que vou ser uma esposa que fica em casa e cuida dos filhos? Acha que vou dizer amém para tudo que você diz e faz? Sabe que não sou assim! Meu pai mudou isto a muitos anos no nosso cartel! Você pode também! / falo
- seu pai levou anos tentando mudar a cabeça dos homens, teve que matar muitos no caminho por causa disso e até hoje, os homens olham estranho quando vocês, mulheres vão junto nas missões ou se metem nas conversas! / ele diz sentando na poltrona do quarto
- meu pai nunca ligou para os outros, ele era o chefe e ditava as regras, não gostou? recebia punição, isso é a máfia, o chefe mandar os outros obedecem! / digo irritada
- Martina aqui não é o cartel da sua família, aqui e Cosa Nostra! Entenda isso! / ele fala e levanta da poltrona e sai do quarto
- isso, fuja da conversa como uma criança mimada! / falo bem alto, não me importando quem poderia ouvir.
Lembrei das histórias que minha mãe contou sobre o tio Marco e a Francesca, que o tio era assim, machista e durão na frente dos seus homens. Nunca imaginei que passaria por isso. Não esperava isso do Henrique.
Sento na cama e esfrego meus olhos. O que eu podia fazer? o que eu devia fazer?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 50
Comments
Maria Maura
E essa Maya e pra dele,? estranho a casa e da mãe Joana, o irmão chega com uma sei lá e fica na casa povo maluco pra isso não tem regra.
2025-03-14
0
Andréa Debossan
Nisso ela tá certa esse bando de machista deveriam ter uma lição a esse respeito
2025-03-09
1
Raimunda Neves
Martina pode mudar a maneira de pensar do Henrique
2024-11-09
0