a casa aparentemente estava dormindo. acredito que esse é o melhor momento, saí do quarto silenciosamente e fui para as escadas. lembrei do meu encontro com Lily. foi difícil. ela chorou, se desculpou , mesmo não sendo culpa dela, chorou mais, se desculpou mais. enfim foram lágrimas e lamentos, até disse que iria falar com Mrs Campbell pra eu não saí. eu ri. Lily era muito boazinha pra o seu próprio bem. foi difícil convencê-la a não se envolver na história. ela já tinham levado seu "carão" particular, se ela mexesse mais na merda era capaz de Mrs Campbell colocar ela pra fora também. não, deixa quieto, já bastava uma no olho da rua.
estava tudo escuro na casa. quase não enxergava nada. peguei uma vela na mesa e fui andando com muito cuidado até a biblioteca.
abrir a porta com cuidado para não fazer barulho. entrei. e pensar que a uma semana atrás eu estava nessa mesma biblioteca com Pedro... é algo que nem eu acreditava.
fui pra primeira estante de livros. tinha centenas e centenas de livros ali, "nera" possível que não encontraria um livro de história. comecei a tentar ler as capas, tinha livros de anatomia, direito, democracia, livros de poemas...aquilo era latim? 'pera aí" essa biblioteca não está em ordem alfabética, tá tudo misturado!
- eita destino filho da puta mesmo!!! tá de "brinques" com a minha cara? mas que merda! eu sou muito azarenta, muito azarenta! vai levar um tempão achar alguma coisa aqui! mais que por..
ouvi um barulho e me virei. Lorde Woodward estava na porta olhando pra minha cara. seu rosto estava sério. ele esteve me observando por quanto tempo?
- vi a luz da vela. não imaginei que seria você. que língua é essa?
ele parecia confuso, e meio curioso também. ele ouviu eu chingando em português e é claro, não entendeu nada. bem de qualquer jeito eu teria que dá uma explicação.
- meu lorde eu estava....
espera aí, ele não era meu Lorde, eu fui demitida logo ele não era mais meu chefe. tudo bem que eu estava na casa dele, na biblioteca dele, mas não precisava mais babá o cara.
- eu estava apenas tentando encontrar um livro.
- você sabe lê?
ele perguntou surpreso. que pergunta era aquela? é claro que eu sabia lê.
- é óbvio.
- é? uma criada que sabe lê ...você também sabe escrever?
- claro!
por que ele achava que eu não saberia? acho que educação básica era coisa só de rico.
- plebeus não não tem o direto de lê e escrever?
agora eu estava com raiva. eu já não estava muito boa do juízo antes.
- não foi isso que falei. apenas fiquei surpreso. não é comum.
ele começou a andar em minha direção. o que ele queria? ele passou por mim e foi direto na segunda prateleira de livros.
- essa biblioteca é sempre tão limpa...tão bem cuidada, um esforço jogado no lixo já que ela não é usada.
- essa biblioteca é fantástica, porque não seria usada. nunca vi tantos livros de um particular.
- de um particular? termo interessante de se usar. acredito que seja a primeira vez que alguém me chama de "um particular". geralmente é "meu lorde" ou "vossa graça".
ele olhou curioso pra mim.
- seu sotaque é diferente, de onde você é?
- americana.
era a resposta que eu dava pra todos.
- nao. você não é. seu sotaque não é de uma Américana. eu tenho negócios com americanos e o seu sotaque não é igual. por que está mentido? está fugindo de alguém?
droga! ele era mais esperto que eu imaginava. de perto ele era mais alto também. e agora? ele continuo me olhando como se pudesse ver através de mim. por que seu olhar me incomodava tanto. minha vontade era fugir dali. mas como, se minhas pernas estavam paralisadas?
- América do Sul.
ele ficou me olhando ainda sério. ele não parecia ter nenhuma pressa pra me deixar sozinha.
- não respondeu a minha pergunta.
seu olhar era profundo. me deixava nervosa e sem dedos. por que eu me sentia tão intimidada por ele? ele não tinha nada de ameaçador mas mesmo assim ele me comodava.
- não estou fugindo de ninguém, apenas não preciso ser tão específica sobre minha origens.
- se trabalha pra mim deve ser sim.
- eu não trabalho mas para o senhor. Mrs Campbell me mandou embora, logo...
ele me olhou surpreso. pelo visto ele não sabia. mas isso não importa na verdade.
- me desculpe Lorde Woodward mas eu vou me recolher. amanhã estarei partindo.
certo, agora é só esperar as pernas funcionar. na verdade era apenas uma desculpa pra ele sair e eu ficar sozinha mas ele continuou me olhando. ficamos os dois lá se olhando e nenhum músculo se mexeu. o que estava acontecendo? que clima estranho era aquele? eu já tinha ficado perto de homens poderosos antes, não apenas de dinheiro mas de influencia também, mas nunca me sentir tão pequena antes. e agora estava me sentindo, e por quem? um lordinho do século xix que nem é essas coisas toda. se bem que te perto ele tinha os lábios bem desenhados e um cabelo preto liso bem brilhante.
- então você vai embora, amanhã? deseja ficar?
- claro que sim!
respondi tão rápido que isso fez ele sorrir. e que sorriso em querido....era muito charmoso o sorriso dele. na verdade nem chegou a ser um sorriso, foi mais um entortar de boca,mas foi bem sex. oh Erica, sua "loca", perdeu de vez o juízo? tá olhando demais pra ele. desvia o rosto. desvia agora sua idiota. era só o que me faltava, eu achar o Lorde Woodward charmoso. se toca Erica.
balancei a cabeça pra voltar a pensar normal.
- eu adoraria Lorde Woodward.
dessa vez fui mais séria, descente e contida.
- não vejo motivos para você ir embora. se seu pecado foi apenas se defender dos avanços de Edgard pode ficar. apenas se seu trabalho como criada não for eficiente, ai não poderei lhe manter aqui. a demais não vejo porquê você precise ir embora.
aquilo me encheu de esperança, tanto de não passar frio e fome quanto de voltar um dia pra casa.
- obrigada meu Lorde.
ele me olhou por mais um momento. novamente de uma forma muito profunda. será que ele olhava pra todo mundo assim?
- espero que encontre alguma coisa nessa bagunça de livros.
- já notei que não estão em ordem alfabética.
ele parecia surpreso novamente.
- não me diga?hummm...um ótimo trabalho pra você começar amanhã. sempre quis e nunca tive tempo de organizar essa biblioteca, e a maior parte da criadagem mal sabe lê que dirá escrever, mas como você lê e escreve não será difícil.
hã? ele quer que eu organize essa biblioteca toda??? meu sonho!!!😄
- sim meu lorde farei com todo prazer!
respondi séria e contida mas pulando de felicidade por dentro. era a desculpa perfeita para poder pesquisar sem levantar suspeitas! finalmente um traço de sorte!!
ele passou por mim deixando um cheiro de whisky e charuto e outro cheiro que não identifiquei.
- boa noite....
- boa noite meu senhor.
ele finalmente foi embora. e eu fiquei por mais um tempo lá, parada olhando os livros. eu não esperava por essa, mas foi uma ótima surpresa.
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Atualizado até capítulo 63
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