Abri os olhos e gostei da realidade que me encontrava. Estava feliz, leve e bem disposto a buscar novas perspectivas, cheguei a entrar em dois sites de faculdade e ver se me interesso em fazer alguma coisa nesse sentido. Acho que tudo que passei na Europa poderia ser superado e precisava muito me mobilizar para virar essa página na minha vida; a dor em meu ser começou como uma gastura, mesmo, cheio de planos, eu ainda tinha um obstáculo psicólogo: queria muito falar com a minha mãe, vê-la, dizer um oi que disse muitas vezes por sonho quando estava na pior. Não entendi aquele sentimento depois de acordar tão seguro e realizado.
Busquei o perfil de um primo que tinha os meus irmãos numa rede social e finalmente encontrei uma foto dela e de meu pai – um velho ácido e dono da verdade – ela sempre compassiva e com expressões de resignação. Precisei esquecer minha vontade de falar com ela por um momento, pelo menos ela está bem e isso precisa ser suficiente no momento.
- Um dia verei você minha mãe, pode esperar! — disse para o universo afim dele alavancar meu desejo e realizá-lo o mais breve possível.
Preparei um pouco de café, uma xícara para falar a verdade e peguei uma massa folhada que comprei numa daquelas lojas do shopping. Descobri que o meu lugar predileto para comer era a escada e fui prontamente para ela me sentar e coloquei minha xícara de café adoçado ao lado e me permitir ao ostracismo matinal não arquitetando nenhum plano naquele momento além de me alimentar e acender um cigarro e fumando de leve a cada mordida bebericando meu café sem expectativas de nada além. Da escada, dava para ver pelo vidros laterais, meu vizinho gentil e seus filhos sendo postos a uma caminhonete em seguida ele dando adeus a eles que seguiam seu curso. Túlio era um homem tipo Breno, mas família, estava sexy com uma calça de moletom e blusa neutra com seus cabelos desgrenhados – era um homem bem bonito, com cara de cansado e apático — não deve ser fácil deixá-los ir acredito. Não sei que era as pessoas que estavam levando-os, mas parecia confirmado com tal fato; se virou e seguiu pela porta principal a fechando em seguida. Terminei meu café e meu cigarro desligando completamente da casa de Túlio. Quando olhava a área de lazer e aquele piscina abandonada cheia de folgas e o mato crescido, concluía que deveria passar aquele dia arrumando aquele espaço. Gostava da ideia de não ter cobrança, de não ter que ficar com quem não queria e o dinheiro não era uma problema a ser conquistado e coisas do tipo invadia minha mente até lembrar da noite passada, foi uma das melhores que tive desde que cheguei: sem compromisso, boa companhia e crianças que certamente gostaram de mim e isso importava bastante. Sentir o valor de ser livre era uma condição inexplicável gratificante.
- Alô! Oi Breno!
- Oi.
- Está vindo para cá? Tenho muita coisa para fazer hoje, não posso...
- Não. Mas queria falar com você sobre uma coisa.
- Fala!
- Nesse sábado, eu estou indo para Arraial do Cabo. Se você quiser ir eu posso te pegar às cinco da manhã. Vai ser legal! Vamos?
- E você não tem mais namorada?
- Ela vai viajar com a família dela e eu resolvi fazer um programa mais tranquilo!
- Não sei. Sabe que não estou muito afim de badalação. Estou bem aqui!
- Para com isso. É só nos dois, eu tenho um chalé por lá e é um lugar de mato, natureza e praia. Vai gostar e a gente te se curti mais.
- Não sei se quero isso! Sabe que estou me recuperando e não quero ter que te agradar.
- Será revigorante! Vai gostar de lá. Não me veja como alguém que tenha obrigações, mas quero curtir você de novo, nunca me deu moral e isso machuca!
- Machuca?
Como dizer para um cara que você não vai ficar disponível para ele sempre? Por um lado me sentia lisonjeado por ele estar muito afim de mim, ao mesmo tempo, estava desconfortável com a sensação de prisão e dever com Breno.
- Pensa. É um local bacana para conhecer e vai se amarrar.
- Está bem. Eu vou. Mas precisa desapegar de mim. Eu nunca conheci Arraial do Cabo.
- É um lugar muito bonito e ficará mais maravilhoso com sua presença!
- Pare de jogar sujo comigo! Não serei seu tapa buraco.
- Não é! Sabe que não é!
Estava bem comigo mesmo, fiquei ali me olhando no espelho com meu cabelo sedoso e brilhante. Que ego resiste a ideia de ser mais sempre? Meu estilo e ar jovial me fizeram acreditar que estava irresistível. Liguei para Fabi e ela ficou muito chocada com as investidas de Breno, como ela disse, o todo marombado da Tijuca e másculo – mas é desses que eu gosto – ela disse que era incrível o Chalé dele em Arraial e servia de matadouro mesmo.
- Acho que nem a namorada dele sabe que ele é dono daquele local. Ele só leva pessoas mais íntimas. Você sabe que as namoradas deles nunca são!
- Por que ele vive de fachada se ele tem tanto dinheiro?
- Ele gosta dos dois, ou melhor, de tudo, bancou aquela atriz travesti Paloma Alcântara durante dois anos que esteve casado com Mônica. Ele só não quer ser rotulado. Sabe que é chato ficar com um placa escrito gay sem antes ser o médico, o advogado, o aluno... Ele quer respeitado pelo que ele é de acordo com vários setores que frequenta e sem falar nos filhos, que é algo totalmente a parte.
- Eu vou, mas já quero fazê-lo esquecer meu telefone!
- Ele é um cara muito bacana! Se souber levar essa relação, nunca ficará desamparado! Pensa, te arrumei o melhor partido da região, granado, é meio drogado, mas não é de fazer cena, ele dorme e vai embora!
- Eu não quero ser isso, entende!
- Gato, a vida é assim, tem que se movimentar e buscar a oportunidade certa. Sei que não quer se prostituir, então, pode ser amante de um cara que não deixará te faltar nada! Vai por mim. Enfim, já está procurando emprego?
- Ainda não com comecei! Na verdade sim, mas não estou correndo atrás. Hoje quero pegar essa área de lazer: lavar, jogar o produto que comprei naquela piscina e quem sabe podemos passar um dia aqui.
- Será ótima, mas não pode colocar som alto, tive muitos problemas aí por causa disso e nem ir muita gente!
- Lógico que não! É só eu e você e quem você quiser chamar. A Beth já me mostrou as regras daqui.
- Aquela velha sonsa não perde tempo! Cuidado com ela tá, parece inofensiva, mas é uma cobra!
- Pode deixar, percebi no primeiro dia. Mas eu gostei dela.
- Certo e voltando para Breno, ele tem bastante conhecidos, cola nele. Já é um caminho! Dinheiro é algo que não pode faltar, sabe disso!
- Ok. Darei início a faxina, quero terminar cedo! Gata, se cuida!
- Você também!
Fabi não tinha ideia que seu papo de cafetina era bem conhecido por mim, só pode. Depois ela diz que não quer ficar do lugar de Odessa, sua mestre e influência. Por impulso, fui para a janela do corredor para vigiar meu vizinho favorito e a casa estava sem movimento. Pensei em algum dia chamá-lo para tomar um vinho, uma cerveja ou algo do tipo, mas estava um tanto receoso em começar um lance onde me perderia em sua vida que acredito eu, ser perfeita – claro que entendo que as crianças precisam de uma mãe e sua esposa faleceu – ainda sim acho o exemplo a ser seguido, não que eu queira casar, mas ter uma família um dia.
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Denise Sousa
complicado sempre ter que colocar a opinião dos outros a frente dos seus sonhos
2022-05-22
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