Entrei em casa e logo vi um sinal encima do sofá. Não me importei, porém não esperava a presença dela hoje.
- Estela, banho!
- Eu não quero tomar banho! Estou exausta!
- Ah, você está exausta?
- Sim papai, estou!
- Agora para banho! Brincou no pula-pula, se arrastou nas bolinhas e agora banho! – disse, não sendo atendido de imediato com ela fingindo que está dormindo.
- Mas está fingindo que está dormindo. Olha!
Após cair no drama de Estela, o choro de Benjamin. Consegui acalmar a situação e terminar por dar seu leite e colocá-los para escovar os dentes. Meus filhos são atores natos ainda mais quando arrumam justificativa para suas preguiças. Olhei para a porta da cozinha e vi sua silhueta no corredor, não gosto que meus filhos a veja, pois a conhecem muito bem, mas estava valendo. Sei que não estava em seus melhores dias e ela sabia como entrar na minha casa e era sim uma grande amiga e sexo gratuito sem cobrança — afinal, ela era casada e eu viúvo.
- Quem está aqui? – disse Estela querendo sair da cadeira da copa.
- É uma amiga do papai!
- É sua amiga invisível?
- Sim.
- Mas ela não é a mamãe? – perguntou Benjamin com seu jeito sonolento.
De uns dias para cá ele passou a questionar a ausência dela e busco ser natural e fantasioso ao mesmo tempo.
- Mamãe está no céu, lembra!
- Ela virou estrelinha Ben. Papai será que ela lembra da gente?
- Sim. Lógico que sim. Vamos dormir!
A conversa de uns tempos para cá estava sempre sendo conduzida para este assunto. Acho que eles cresceram e apesar de Estela ter ainda uma visão de sua mãe, percebi que Benjamin estava mais curioso nessa questão.
Apesar de ter feito um quarto para cada um, era mais conveniente deixá-los dormindo no mesmo. Acendia a luz baixa, arrumava a cama de baixo da de Estela para Benjamin e eles dormiam melhor juntos. Verificava as janelas, recolhia as roupas sujas e as jogava no cesto. As vezes contava estórias também, mas era raro, eles costumavam apagar assim que os colocavam na cama, brincavam muito e sempre cheios de atividades, era certo, com a calmaria, eles se deixarem levar para o mundo dos sonhos. Sou um pai que não deixa meus filhos na frente da TV ou celular o dia inteiro, cada um possui um tablet, mas era dado apenas em atividades pontuais.
- Eles dormiram? Trouxe esse licor de cereja. Eu ganhei, mas não iria dividir com aquele idiota!
- Entendi. Tomarei banho rápido e já volto!
- Ainda naquele mesmo problema?
- Vai lá que a gente conversa quando voltar!
- Está bem!
Existia segredos e por vezes sempre acontecia de uma conversa evoluir a uma amizade e com Cleonice as coisas foram tomando um rumo íntimo, porém entendia que ela queria mais alguém para conversar. Vem de uma família conservadora e tinha seus limites e crenças sobre família que levava a sério. Ela é uma mulher de vinte e sete anos cujo o marido perdeu o interesse por ela após o nascimento do segundo filho e quando as coisas começar a voltar ao normal, ela engravida novamente e isso mexeu com o relacionamento do casal de maneira onde seu marido não é muito fã de crianças e agora era pai de três — possui uma vida confortável sem a necessidade de trabalhar, mas pagava um preço alto por ter vacilado no terceiro filho — as vezes, acho Rubens um verdadeiro babaca e que não merece a mulher e filhos que tem. Cléo é uma mulher muito bonita, engordou bastante sim, mas não entendia o por que seu marido a rejeita tanto se ela possui uma ótima conversa, muito apetite sexual, de verdade — me sinto até usado por ela — é um sorriso que não dava para passar batido de ninguém. Minha vizinha do lado direito era sim, uma mulher incrível com seus três filhos, se casou muita nova com seu segundo namorado e ele a sacaneia muito; Rubens Fegnani, o advogado do anúncio da Fegnani Advogados Associados, era um profissão de família e ela sim, aos dezenove anos acreditou ter achado o melhor partido de Neves, mas o ostracismo se mostrou na primeira traição e quando a família ainda tem a religião e a hipocrisia associada a bons costumes as coisas se tornam mais complexas do que o normal e, de certo, era isso que a fazia insistir nesse casamento.
Assim que sai do banheiro, a encontrei sentada na minha cama e com os olhos inchados. Estava cheirosa e tinha pintado seu cabelo num tom mais escuro e eu gostei.
- Ele te bateu?
- Se um dia aquele cara me tocar dessa maneira eu pararei numa cadeia! Ele é um advogado muito inteligente para cometer esse erro, ele entende que a mulher dele é louca!
- Ótimo! – Rindo, respondi enrolado na toalha e secando meu cabelo.
A seriedade de Cleonice mudou para um relaxante alongamento encima da cama. Ela jogou vários olhares para mim um tanto sarcástica e soltou:
- Está gostando daquele garoto trabalhado no submundo de Fabi, não está?
A olhei já rindo um tanto malicioso e receoso também.
- Eu não sei. — respondi colocando uma bermuda. - Eu sei que ele não quer isso. Então eu gosto da ideia de ser um amigo, só isso!
- Você quer me pegar aqui ou na cozinha? No escritório?
Desde quando Solange se foi, eu nunca deixei ninguém dormir naquela cama e olha que passei por momentos embaraçosos com Jaqueline que se insinuava para mim e por duas vezes a expulsei desse quarto. Entendi naquele momento que a ferida aberta com a doença e morte de minha mulher não doía tanto e estava seguro em deixar Cléo à vontade, sem me sentir culpado por ela estar ali.
- Posso?
A beijei devagarinho, deixando-a tranquila
e querendo testar minha masculinidade — sou um homem que ainda oscilava com meu caráter machista e culturalmente criado para ser um homem – somente isso. Na obscuridade de nossa verdade era comum puxar pessoas reais onde a cumplicidade se fez presente como um apoio em dias de tormenta. Nossa amizade colorida era boa, sensata e descompromissada.
- Gostei do seu cabelo.
- Aquele idiota nem olhou isso. Terei que voltar antes da meia noite, ele acha que estou na casa de Beth ou no clubinho.
- Então será rápido!
Tranquei a porta e liguei a babá eletrônica para evitar surpresas e deitei encima de Cléo que exigia minha presença mais firme. Ela não perdeu tempo e logo puxou minha bermuda para baixo envolvendo suas mãos em mim me fazendo pulsar. As coisas entre a gente era na maioria das vezes intensas e gostava da química entre nós. Ela não ligava quando a dominava e ela sabia muito bem como atiçar em mim o desejo quase que perdido por mulheres, mas afinal, estava sozinho e companhias como essa eram raras sendo um viúvo recente, nem tão recente assim. Puxei seu cabelo suavemente, coloquei a camisinha e subi suas pernas até estar dentro dela a fazendo puxar o lençol e gemer comedidamente. Eu estava animado e meu coração estava aceso novamente e sim, Vick inundava meus pensamentos naquele momento gerando força para fazê-la feliz como gosta — Cleonice se amarrava em pegadas intensas e ritmo acelerado — e eu aproveitando minha vizinha abusiva até a cama fazer barulho.
- Nossa! Como queria que Rubens fosse homem para me pegar desse jeito. Hoje você está especial!
Coloquei seu rosto no travesseiro atingindo nosso objetivo e sentindo suas pernas tremerem junto com as minhas. Relaxamos cansados e satisfeitos.
- Que isso, Túlio? Imagino que esse novo vizinho está te fazendo bem!
Não respondi. Entrelacei minha mão com a dela, ela detestava que eu me desvencilhasse dela assim que o ato fora consumado.
- Acho que precisava disso. É tanta coisa que tenho que administrar que eu esqueço que sou um ser sexualmente ativo.
- Mas que aquele garoto tem alguma coisa a ver com isso, tem!
- Talvez é uma questão de novidade e eu não consigo pensar em ter que lidar com as consequências disso na minha vida. Existe a avó das crianças e eu não sei...
- Túlio, aprenda a ser você mesmo! Está apaixonado.
- Estou querendo acreditar em algo e ele de certa forma, está me ajudando nisso!
- Ele é muito bonito Túlio. Mas não lembra o seu antigo affair e pode ser apenas um crush. Você tem uma nova oportunidade de recomeçar e não deveria se prender a estereótipos e pessoas.
- Eu não tenho nada a ver com ele. Ele parece um garoto assustado e confuso, oscila entre um adulto receoso e do nada se mostrar um jovem inconsequente buscando se conhecer também.
- Beth disse que ele esconde algo muito grave e tentou tirar isso dele. Outro dia apareceu um homem negro alto, cheio de marra na portaria e se dirigiu a casa dele. Fabi é prostituta e certamente ele sabe um pouco desse ramo ou faz parte dele.
- Você acha isso? Acredito que ele é só uma garoto, bailarino e está em busca de trabalho em sua área. Mas entendo que ele esconde algo e que jogou o nome de Leila Conrado para justifica a permanência na casa, é uma boa casa!
- Também Beth pensa a mesma coisa! Eu só me preocupo por ser mãe e querer que meus filhos cresçam sem muitos perigos e espero muito que ele se comporte e não transforme aquela casa num inferninho.
- Acho que não é desse tipo, Cléo!
- Vamos observar. Afinal ele será o assunto por aqui por algum tempo.
- Tenho que ir. O namorado de Duda pegará ela daqui a quinze minutos e meus ficarão sozinhos.
- Ok.
- Pode ficar com o licor. Outro dia a gente toma ou você convida seu novo Zinho de frente para apreciar! Obrigada por me deixar te usar, hoje eu precisava mesmo!
- Estou as ordens!
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Jucilene De Fatima
que chique eu queria um vizinho assim bonito e pegador kkkkkk
2024-02-19
1
Roseane Pereira
aí que bonitinhos umas amizades com beneficio gostei desses dois
2024-02-07
0
claudiapal Santos
😊😊😊
2022-10-25
1