Dias depois
Estava bem adaptado, aproveitando a calmaria e o fato de está sem verbas para sair e não faria nada para arrumar dinheiro rápido – tinha até analisado algumas peças, quadros entre outros objetos que poderia me dar um bom dinheiro e certamente não seria sentido sua falta, pôs ficavam em um dos quartos da bagunça. Presumi isso, mas não fiz, consegui alguns contatos e uma escola de dança chegou a me enviar um e-mail e percebi que era questão de tempo arrumar uma emprego na minha área. Apesar de muitas das vezes ainda estar no clima de tensão e medo, percebi que era apenas uma situação de um passado na minha cabeça. Enfim, coloquei as coisa no lugar, descobri algumas cortinas antigas que passei um tempão para desencardi-las e tirei o privilégio de Beth sobre minha casa, apesar de adorar ela, que sempre me escuta, era fato que ela precisava de alguma coisa contra mim para me difamar para os demais. Resolvi fazer o tipo gay conservador para não chamar atenção e manter minha estadia por essas bandas por mais tempo.
- Estou com o seu dinheiro. Deixa eu entrar.
- Quem foi que te deu meu endereço? Você poderia muito bem colocar na minha conta.
- Tá, como você vai declarar esse dinheiro sem impostos?
- Não acredito que você me trouxe em Euros, falei para você trocar!
Deixei o porteiro, seu Valdir, libera-lo. Não queria estar com ele aqui, ainda mais sozinho. Nem sei se ele está falando a verdade se quer me sondar... Por precaução, escondia as facas – coloquei uma na gaveta do aparador da sala de jantar e outra no meu quarto caso ele tente alguma gracinha.
- Hora, hora, cê tá bem mesmo, né! Não sei nem porque estou me preocupando com você! Toma isso!
Ele tirou um envelope da virilha e me entregou. Eu conferi nota por nota – não era o tipo de cara que eu podia confiar, depois de Eduardo ele foi sem dúvidas outro âncora na minha vida.
- Zaci, tudo certinho, agora vai embora!
- É assim é, entendi. Você está fudendo com aquele Breno; ele, é granado, cheio de influência. Você não perde tempo mesmo. É mais batido do que a dona da casa, Aquela piranha da Fabi.
- Já deu! Não tenho que escutar nada de você. Por favor...
Antes que chegasse a porta e ele me segurou e eu o empurrei.
- Vai me bater agora, virou macho. Quando queria sair daquele pulgueiro, eu era bem tratado, bem alimentado..., agora, fica se sentindo o garoto de Icaraí.
- Aqui é Santa Rosa. E eu te paguei cada centavo e suportei muito de você. Nunca foi de graça nada entre a gente. Nada!
Uma vez, precisei de um passaporte para ir embora. Zaci me acertou, bem forte, dizia ele que estava com ciúmes de um dos clientes que ele mesmo arrumou e que eu tratei melhor ele do que conseguia trata-lo. Por sorte que a mãe dele chegou e interrompeu mais uma surra que levaria de um homem. O lado ruim de você gostar de homens é que eles acham que não vai doer, que amanhã vai curar e tudo ficará bem. Ainda sendo garoto de programa, isso se torna natural, tipo, não merece esse corpo, não merece ser tratado bem e muito menos tentar se dar bem na vida – você conta nos dedos quantos gays consegue viver em segurança e ter uma família, direito aos estudos na prática. Enfim, fiquei aliviado por estar com a quantia que pedi para ele atravessar para mim, já tirou sua parte e não queria ficar mal falado com seus possíveis clientes. Eu dei a ele vinte mil Euros para ele me devolver cinco. Era um bom dinheiro, nesses dois anos, por tudo que tive que aturar, eu deveria sair dessa história milionário, mas dei graças a Deus por voltado com cinco mil Euros.
Assim que eu abri a porta para Zaci, Túlio estava saindo de carro da garagem dele e me cumprimentou com a cabeça. Olhei para Zaci entrando também em seu carro e ele me fez sinal para ir até a janela.
- Quando quiser, eu te arrumo gente selecionada, ainda morando aqui!
- Eu não curto mais isso e acabou!
Voltei para trás e virei para ver se ele sairia do condomínio, ainda, como não tenho visão da portaria, liguei para Valdir para confirmar.
- Valdir por favor, anota aí que se ver esse homem novamente tentado entrar aqui, não é para deixar. Diz até que eu não estou aqui, ou que não tem autorização para entrar e em último caso se ele insistir, chama a polícia, ok.
- Ok, Vick. Antes da primeira entrada, eu já barro a entrada desse elemento.
Precisava comprar mais produtos de limpeza e alguns mimos para mim, enfim, me tratar bem um pouco, eu mereço. Separei o dinheiro que levaria para trocar e guardei partes em alguns cantos da casa. Aqui quem tinha a chave, imagino, é Fabi, seus tios e a administradora do imóvel. Então queria muito correr atrás de uma maneira de depositar em um banco e me garantir por mais tempo.
- Já percebi que ficarei agradando Breno por um bom tempo. – disse para mim mesmo.
Aquele dinheiro me deu uma nova cara e um novo sentido. Lavei a louça toda deixei a cozinha impecável, tomei um banho, chamei um carro por aplicativo e sai pela primeira vez daquele condomínio desde quando entrei nele. Fiquei de olho se caso Zaci tivesse a espreita ou alguma movimentação estranha – Zaci sabe que para voltar para prostituição era só me encurralar e me tirar tudo e quando eles percebem que você tem certo jeito pra coisa, enquanto você tiver juventude, eles te sondam e faz ciladas para você cair e voltar para a vida de sexo por dinheiro. Não sei se estava sofrendo de transtorno pós traumático, ou apenas um trauma das coisas que precisei enfrentar.
Fabi me indicou uma agência de viagens de um amigo que faz servidos cambiais. Fabi era uma velha amiga e já se ferrou muito por homens. Eu nem pensei que pudesse contar com ela dessa forma, mas precisava;
- Cheguei, tem certeza que é aqui!
- É essa agência de turismo famosa mesmo, pede para falar com Celso. Diz que fui eu que te mandei.
- Beleza então, beijos!
Me arrependi de não ter trazido mais Euros. Celso me passou para sua assistente Roberta fazer a troca e ela jogou o dinheiro limpo para a minha conta.
- Qualquer coisa, fazemos também notas para imposto de renda, se tiver mais, a gente troca. Naquele esquema, pessoas do nosso círculo, nada de desconhecidos, tipo, você conheceu ontem e nos indicou, por exemplo.
- Certo, valeu mesmo!.
- Se quiser um pacote de viagens, estamos aqui!
- Quem sabe mais para frente!
- Se quiser, como disse sobre estar buscando trabalho por aqui. Eu posso enviar apara algumas amigos.
Sai satisfeito, paguei o que eu devia para Fabi e os alugueis para garantir meu um ano naquela casa e certamente conseguiria me passar por uma pessoa mais sofisticada e estudada, se bem que eu não tenho diploma universitário, mas podia dar aula de balé e arriscar como professor de francês e espanhol. Também queria conhecer mais pessoa, sair mais e quem sabe, me envolvesse com as pessoas certas, oportunidade poderia aparecer.
Retoquei as luzes nos cabelos me fazendo parecer loiro natural e as unhas que fiz questão de pinta-las de preto como eu gostava , meu momento de riqueza não poderia passar em branco e fiquei me olhando no espelho sendo outro homem com roupas estilosas e atraentes com minhas unhas destacadas sob meu reflexo. Tive uma época emo, dos dezoitos aos vinte, mas no balé precisava manter as unhas sempre claras – não entendia a exigência.
- Esse óculos de sol está lindo! Tem desse modelo da foto?
- Oi.
Sabe quando você não espera encontrar ninguém, então , demorei para olhar para trás e pelo espelho do quiosque no corredor do shopping, Túlio segurava as mãos de seus pupilos e me dava um olhar de gentileza e cansaço.
- Oi, desculpa, não te escutei. Oi crianças! – me abaixei na altura delas e elas sorriram inocentes para um estranho.
- Aproveitando para comprar tênis, você não tem noção como criança perde roupas e sapatos e tudo é caro!
- Há tenho sim, já fui muito com sapato apertado para o colégio. Era o que tinha!
Que mancada! Era para parecer ter tido uma infância maravilhosa sendo de família rica de berço ou muito bem criado pelos Guimarães, Conrado..., sei lá.
- Entendo. Bem, eu vou indo.
- Está bem.
- Hoje é dia de MC lanche.
Bem, eu não sabia o que era sentar com uma pessoa que não fosse cliente ou alguém que usaria para tentar fugir, ou a turma de Fabi; fiquei ali querendo me convidar para ir com eles. Fiquei esperando qualquer atitude dele que me colocasse como uma boa companhia.
- Quer vir com a gente? Aqui na praça mesmo de alimentação! – Túlio não resistiu minha cara de cachorro pidão.
E eu seu pensar duas vezes, fiz a cara alegre de um garoto ganhando um presente.
- Quero sim, eu já estava indo agora lá! Eu vou pagar esse óculos e te encontro.
- Estou te esperando!
- Já estou indo! – sorri para meu simpático vizinho e cheguei a tremer de empolgação, era um bom final de noite e bem diferente da minha realidade passada.
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Atualizado até capítulo 93
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