Beth já está cochilando na cadeira. Beth! – disse Túlio que jogava uns olhares bem estranhos e depois me ignorava completamente.
Sei que Paola e Jeferson ajudaram dona Beth se recolher. Todos estavam bêbados, tirando as crianças. Eu fui ajudar Yasmine a lavar os copos, que quase os quebrou na pia.
- Vou te ajudar!
- Pega para mim aquele detergente, dei eu ali para lavar a mesa lá de fora e voltei para lavar a louça.
- Percebi. Me dá esse pano e essa esponja, eu lavo.
- Fica aqui um pouco. Você não percebeu os olhares de Túlio para você?
- É eu acho que ele não foi muito com a minha cara, ou sei lá, ficou curioso!
- Nada disso!
Ele fez o sinal de silêncio com a boca e me fez chegar mais perto enquanto ele colocava o lixo para fora.
- Ele está de olho em você mesmo. Ele nunca saiu do armário, quer dizer, ele tinha um amante e a sua mulher, que Deus a tenha, pagou um curso de especialização para ele em outro estado. Ela sofria de câncer raro, sabe. Mas aí ele nunca mais se perdoou e fica aí evitando relacionamentos.
- Nossa, mas ela morreu a muito tempo?
Antes que ela me respondesse, ele entrou e desconversamos.
- Esse pano, pode me dar para passar na mesa lá fora.
- Sim, quer esponja?
- Não, só vou passar o pano mesmo. Amanhã eu volto e a ajudo a limpará mais. Meus filhos já estão dormindo. Eles precisam da cama deles.
Olhei para Yasmine e ela sorriu, ele realmente estava desconfortável na minha presença. Não o julgo, não é fácil falar de sentimentos sendo homossexual, e se caso ele realmente for, imagino um pouco ter que buscar o que não quer por causa de seus filhos.
- Evelyn, me ajuda a levar Benjamim para casa.
- Deixa que eu levo, eu moro de frente para você. Tem algum problema?
Percebi ele contrariado e resolvi deixar para lá, porém ele resolveu me dar o garoto para poder pegar a menina no colo.
- Está bem, Evelyn vai para casa assim que você fechar a porta, ok. Monica também.
Fazia um tempo eu não pegava um bebê no colo. Benjamin era grande e pesado e sua coberta era uma graça tinha pompons nas laterais e desenhos de naves espaciais. Demos boa noite para os que ficaram apagando as luzes e saímos andando. Eu olhei para Túlio que não me encarava e para quebrar o gelo, resolvi depois de muito pensar falar alguma coisa.
- Vocês sempre fazem esse tipo de reunião, eu gostei daqui, pelo menos a vizinhança é boa, se conhecem e parecem tão acolhedora.
Ele continuou como se não fosse me responder, mas me esperou eu alcança-lo e disse.
- Aqui é um lugar com, será perfeito se as pessoas não falassem tanto, mas é fechado seguro, pagamos segurança vinte e quatro horas, nos dá a sensação que aqui é diferente de lá de fora. E sim, Beth, sempre arruma algo para fazermos aqui. Se conhece seu Garcia, irmão de Beth, eles eram praticamente os síndicos daqui. Mas agora colocamos uma administradora. É mais barato!
- Isso é verdade. Aqui é um lugar muito bacana para se morar!
- Bem, chegamos!
- Entra que eu vou colocá-la na cama e já pego ele. Se quiser pode colocá-lo no sofá.
- Eu te espero. Não sou experiente com crianças.
De algum modo, ele mudou sua postura e como se ele quisesse correr para pegar Benjamim de meu colo. Ele voltou com a menina , deixou-a no sofá e me pediu sem palavras Benjamim. E fez o mesmo.
- Bem, obrigado. Eles precisam escovar os dentes. Vai ser uma briga, mas terei que fazer isso, regras saia regras.
- Verdade. Está bem, obrigado pela noite e boa noite!
Ele balançou a cabeça em sinal amistoso e me seguiu até a porta e segui atravessando a rua sem olhar para trás. Ele era pai e eu um estranho. A cada deles realmente era muito bonita por dentro com iluminação ambiente e sensores e um pequeno jardim também muito bem feito. Não vera um condomínio de casas iguais, eram padronizadas, mas nem chegava perto aos bairros de subúrbio que vemos nos filmes americanos. Atrás tinha uma floresta e o clima era bom a noite, mesmo sendo o impressionante verão carioca.
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Atualizado até capítulo 93
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