Papai eu posso levar esse brinquedo?
- Pode, mas não esse, sabe que você não gosta de emprestá-lo.
- Mas...
- Estela, você vai se comportar e você também e vão ficar vendo desenho com Evelyn.
- Está bem, papai!
Quando olhava a cara mais pura de Estela falando que se comportaria dá até um veracidade no que ela fala. Sei que irei me estressar, que mal conseguirei dar um gole numa bebida por causa deles, mas preciso socializa-los, preciso mostrar pessoas para eles, e sem contar que é aqui no condomínio.
- Vamos lá!
Caminhamos alguns metros até dar de cara com Carlos da casa 105, saindo da dele.
- Estão indo para a Beth?
- Sim.
- Eu também, tem algum problema se Tiago for com vocês, vou pegar os salgadinhos que encomendei com dona Glória.
- Sem problemas!
Tiago tinha seus oito anos e era metido a adulto.
- Que livro é esse Tiago?
- O mundo de Sophia. Peguei na estante do meu pai.
- É uma história incrível, sabia!
Peguei para verificar se era o mesmo que li aos quinze anos, de Jostein Gaarder, e era.
- Toma, quando terminar, a gente conversa sobre o final.
- Você podia me contar, Túlio.
- Aí perderá a graça!
- Eu não ligo para Spoiler...
- Boa noite Beth!
- Boa noite, entra! Agora me explica pra que tanta pizza, Túlio? Crianças, o canto de vocês eu ali na sala da pipoca! Bem eu acho que é sessão pipoca!
- Mas eu estou lendo!
- Tiago me dá esse livro, vai ser feliz! Monica e Evelyn estão lá e tem um monte de filme daquele streaming de vocês lá. O livro ficará aqui, quando seu pai vier darei a ela. Lá tem barra de chocolate, pipoca, um monte de coisa gostosa!
- Tá bom! – Tiago disse toda cabisbaixo e revoltoso.
- Túlio, você trouxe mantas para eles, não trouxe?
- Está nas sacolas, nas mãos de Estela.
Túlio fique a vontade, a Jasmine e Wesley estão sentados lá fora e Nicanor também. Pegue o que você quiser. Arrumei com as meninas aquele quarto para a gente ter pelo menos umas duas horas só para gente! Coloquei colchão no chão, almofadas, travesseiros... Você pode ir lá e ver o que eles estão fazendo!
- Ideia genial, essa sua! Mas uma vez, aprendendo com você!
Sentei perto de Yasmine e Paola com só seus respectivos maridos Wesley e Jeferson, beberiquei um pouco de batida de abacaxi e fique ali ouvindo mais que falando até Beth sentar.
- E o inquilino dos Guimarães vai vim? Beth, você fez maior propaganda para gente, disse que ele estava aso beijos com o namorado!
- Que são dois bombados. Isso você disse! – falou Paola pós de Yasmine.
- Falando nele!
Toca a companhia.
- Abre lá Túlio, ele não vai dará a volta, está conhecendo aqui ainda. Acabei de sentar.
Sai por dentro da casa de Beth até a porta principal e quando abri, me deparei com um garoto jovem , cabelos até os ombros, porte mediano e olhos deslumbrantemente verdes. Reparei também que fazia luzes no cabelo e parecia ter saído de uma revista de moda.
- Oi, eu sou Vinícius!
- Ah sim, desculpa, entra. Beth pediu para te receber.
- Você é o vizinho, pai daquelas crianças, não é?
- Sim, sou eu. Seu vizinho de frente.
Eu estava emocionado, um tanto confuso também pelas minhas expectativas e isso me deixou em apuros. Toda aquela conversa e pensamentos de arrumar uma pessoa e de preferência um homem e aquele homem na minha frente era o mais próximo que eu chegava de um pretendente, digo, por não frequentar lugares lgbtqis..., eu era bem novo nisso e não sai do armário oficialmente. Eu simplesmente passei alguns segundos na frente dele tentando me encontrar novamente.
- É, eles estão aonde?
- Nossa, eu estou viajando, vamos é por aqui!
- Boa noite pessoal!
- Oi, boa noite.
- Eu não consegui trazer nada, eu sou péssimo na cozinha e o bolo deu totalmente errado!
- Para com isso. Túlio comprou nada mais e nada menos dez pizzas, eu trouxe besteiras para as crianças e bebida tem muita.
- Gosta de cerveja? Tem aqui. Fica a vontade! Túlio, ficará aí parado?
Voltei para o meu lugar me sentindo um babaca, estava assustado com os meus sentimentos imaturos e carentes. Sou um homem de trinta e poucos anos, não deveria me comportar como uma adolescente ou jovem. Que bobagem minha querer fugir dos meus sentimentos, pensava dando bronca em mim mesmo e relaxando. Eu pensei que ele fosse mais velho, mas não passa de uma garoto bastante maduro para a idade.
- Você é modelo!
- Eu não sou modelo, eu...
- E sim, você saiu na Vogue. Eu já te vi lá, na revista, ano passado.
- Você não me disse que era modelo também. Ele é bailarino.
- Foi isso mesmo. Foi num ensaio de moda.
- Nesse ramo, nada passa despercebido por ela, Vinícius. Ele já foi modelo e agora é editora chefe de um canal de moda e ainda faz um blog
- Eu saí uma vez, fui um trabalho, mas sem agência.
- Como você não tem agência, você é lindo. Realmente não tem porte para passarela, mas modelo fotográfico certamente.
- Verei as crianças um pouco Beth, já volto!
Tadinho, vai ser sabatinado em plena sexta-feira. Foi um alívio sair da presença dele – fiquei bem animado e isso transparecia muito num cara comedido como eu. Benjamin estava do décimo quinto sono coberto, enquanto Estela ria das cenas de um desenho com Tiago, Mônica, Evelyn, Samara e Artur.
- Bem, deixarei vocês quietos!
Aproveitei para usar o banheiro e voltei mais calmo e concentrado.
- Eu fui a moradora mais odiada desse condomínio. Quando me mudei, Beth quase deu na minha cara! – disse Yasmine, contando que expulsou os antigos inquilinos da casa que morava nela há anos.
- Morava na Barra da Tijuca, gastava dez mil por mês para me manter num condomínio de lá e não se tinha dinheiro para nada. Estava eu com os meus vinte nove anos, e disse ao meu pai quando eu ia herdar a casa de Santa Rosa, de tanto implorar, falei que pagaria aluguel para eles, e o condomínio.
- Nisso a casa aqui estando alugada pela senhora Glenda e Marcos. – disse seu marido Wesley.
- Eles moravam aqui quase vinte anos e eu gastando mais de cem mil por ano em condomínio, carro, mercado, tudo caro! Quando faltava um ano para terminar o contrato, meu pai pediu a casa e foi um alívio para a fúria de Beth e Garcia, que Deus o tenha! – Precisei me impor nesse condomínio, falei para todo mundo que merecia estar aqui!
- Essa garota foi tão abusada, que Arthur nasceu na minha sala! Eu posso com isso! Está lá meu afilhado de consagração. Só não tirei o direito de Carmem de ser madrinha, porquê já estou velha!
Ficava surpreso a maneira dele tão jovem ser tão maduro. Ele não tinha brincadeira que eu tinha na idade dele e ainda se deu muito bem no meio de casais e velhos. Sei que ele jogou seu cabelo e amarrou eles para cima deixando sua silhueta se carimbar em minha mente.
- Gente, boa noite! – dona Glória terminou agora de fritar os salgados. – Carlos e Andréia, fizeram o favor de fazê-lo mudar sua posição e tirar a bela vista de meus olhos.
- Carlos tem tanta comida nesse lugar que vamos explodir a qualquer momento. Vou ver se meu filho Gustavo vem com a namorada para comer. – disse Nicanor.
- E você Túlio, fala alguma coisa de você!
Aquele garoto olhou para mim de um modo normal e a vontade, cruzou as pernas evidenciando uma sapatilha masculina branca e pernas raspadas – na verdade, parecia que não havia pelos em seu corpo em nenhuma parte – parece que ele foi todo mudado em ângulos definidos detalhadamente desenhados para tirar qualquer um do sério.
- Ele é viúvo. Sua vida é creche, crianças e acadêmia.
- Também não é dessa forma. Eu saiu de vez em quando.
- Pode chamar ele para as festas, já disse que fico com os filhos dele para isso. Você deve conhecer lugares quentes no Rio, aqui em Niterói...
- Eu não conheço, eu morava em São Paulo antes de Paris.
- Você não é daqui, digo, do sudeste?
- Bem, eu nasci em Mato Grosso, mas fui criado em Minas Gerais. Minha mãe é de lá e também passei por Goiás e Pernambuco, Terra de meu pai.
- Já é bem viajado!
No final das contas, eu não disse nada para ele, eu nem sabia por onde começar e fiquei com medo de dar bandeira. Ficamos ali até umas duas horas da manhã e estava caindo de sono, mesmo tendo evitado misturar bebida.
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Atualizado até capítulo 93
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