Conhecendo Beth

Acho que você conheceu a Beth, né!

- Acho que sim, acho que é a senhora que veio aqui ontem me dar boas vindas.

- Cara, ela não para de olhar para cá e esses vidros sem cortina.

- Não irei me importar com isso agora. Tenho outras prioridades.

- Vou indo, quer sair? Eu tenho que ir na Barra da Tijuca, eu investi num restaurante smart, e já está dando rolo.

- Não. Hoje arrumarei uma pouco essa bagunça, ainda tem algumas coisas que irão chegar de um container de uma amigo, terei pegar. Obrigado pelas compras e pela noite.

- Qualquer coisa fala comigo! Posso?

Deixar ele me dar um beijão de despedida só reafirmação minha teoria; ele quer que eu fique disponível sempre para ele, mesmo não tendo um vínculo maior com sua vida. Porém eu precisava dele, precisava daquele o interesse carnal que ele havia adquirido por mim. Eu confundia propositalmente com amor.

- Vai lá gato! Não sei nem por onde começar.

- Quer uma diarista para te ajudar, eu conheço a dona Glória, ela é uma faz tudo aqui nesse condomínio e ainda tem a Evelyn, sua sobrinha que trabalha para a senhora Beth.

- Realmente você conhece o condomínio inteiro!

- É pequeno, tem um monte de velho, tirando seu vizinho de frente viúvo e pai de dois filhos, acredito que você é o mais novo inquilino aqui, tanto em idade quanto de tempo na casa.

Sei que não deveria estar incentivando essa relação, o meu eu me dizia que não iria aceitar isso por muito tempo, porém estava carente de afeto, sem mãe e pai para abraçar, contar minha história até aqui. Peguei um cigarro e passei a fumar lentamente olhando a minha vizinha que não tirava seus óculos e olhos da minha casa. Sorri, buscando gentileza e consegui. O interfone tocou, eu atendi e era ela.

- Oi vizinho, seu namorado é maravilhoso e você também, sabia.

- Nossa, eu...

- Eu sou assim mesmo, quer um pedaço de bolo? Peço para Evelyn levar aí.

- Não precisa se incomodar, eu tenho...

Ela não deixa eu terminar uma frase.

- Para com isso, vem tomar café aqui. Aqui é um condomínio de velhos, não se esqueça, se me agradar, sempre terá café com bolo para você! Vem logo, tira esse cigarro da boca e vem.

- Eu estou indo!

Lavei mais uma vez meu rosto e coloquei uma blusa melhorzinha e sai de casa deixando a porta encostada sem me preocupar com nada por enquanto, queria mesmo era quebrar qualquer resistência dos meus novos vizinhos e gostaria de conviver muito bem com eles – eu definitivamente queria o carinho menor que fosse ele e ser aceito – não que antigamente eu queria isso, mas depois de minha experiência na Europa queria algo mais que verdadeiro, mais que sentimento momentâneo, queria uma vida nova e real.

- Bom dia!

- Bom dia meu filho. Como pode ser  bonito! Juventude é tudo meu amigo, aproveite a sua enquanto a tem!

- Obrigado!

- Senta, fique a vontade. Coloquei uma xícara para você, se sirva.

Fiquei um tanto desconcertado com os olhares maliciosos de Beth referente a mim. Sorri envergonhado e me servi com café e ela, prontamente, me serviu com o tal bolo oferecido com a intenção de me analisar e tirar suas próprias conclusões referente a mim. De algum modo, não era natural ver um homem tão jovem e sozinho se mudar para uma casa reformada e com piscina nos fundos de um condomínio familiar como aquele. Se ela soubesse da missa a metade, porém não estava aberto para isso, ela irá se contentar com a história que formulei com Fabiane e Júlio César num bar no Catete perto do apartamento mais famoso para quem gostar de ménage e as garotas mais bem trabalhadas em seus corpos e aptas a fazer de tudo para tirar o que o coitado não tem.

- Você é inquilino, é da família do senhor Marquês?

- Não, quer dizer, sim. Eu sou primo da Fabi.

- É filho de quem, eu conheço toda a família Guimarães e Jacinto, A Fabiana é Jacinto Conrado, me criei com os avós dela. Olha quanto tempo há nisso!

- Então, eu sou da parte dos filhos de criança mesmo da senhora Leila Conrado, minha mãe foi uma das crianças que ela ajudou na infância.

Parecia um flash de Fabi contando essa história; essa mulher, a Leila, era muito rica e como perdeu o filho muito cedo e não conseguiu engravidar novamente, ela pegava os filhos de empregados, de pessoas que precisavam, dava estudo, ajudava...

- Eu lembro muito pouco da Leila, ela era metida, tinha sido a escolhida por Afonso Conrado para modelar em mil novecentos e setenta e cinco, eu acho, acabou casando com ela. No início de noventa, eles deram um carro para um garoto de dezoito anos e a primeira coisa que ele fez foi passar pela ponte Rio-Niterói e caiu naquele beirada do Mocanguê,  acidente horrível, foi uma tragédia mesmo.

- Eu não conhecia essa história. Eu sei que ela perdeu o filho, mas não sabia a maneira.

- Você é muito jovem, não é? Vi você fumando ali e nem tem manchas na pele.

- Eu tenho vinte e quatro anos.

- Faz o que, desculpa minha indiscrição, mas não espere de mim uma postura contrária. Adoro ouvir histórias da vida dos outros ainda mais nesse minha idade. Se eu pudesse ser um equipamento, seria uma câmera escondida, adoro ver o ser humano!

Ri da forma que ela confessou ser a maior fofoqueira do condomínio e graças a Deus que terei um ano sem a presença de ninguém além de Fabi e Breno – pelo menos por enquanto – nem festinhas irei admitir no meu recinto de recuperação .

- E senhora, mora aqui a vida toda?

- Vi morar aqui, assim que consegui meu primeiro salário na rádio, não minto, eu vim morar aqui assim que me casei com Euclides – estava apaixonada, minha sogra me odiava e resolveram dar a entrada nesse imóvel e fazer com que a gente pagasse em suaves prestações para o antigo BANERJ e então sempre busquei preserva-lo na intenção de passarmos a velhice nele. Mas ele morreu há quase dez anos, parece até que foi ontem.

- A senhora não tem filhos?

- Tenho! Estão casados, tenho até bisnetos e eles queriam me tirar daqui para vender ou transformar minha casa numa república. E perto do campos da UFF. Já ouvi muita história e argumentos, mas bati o martelo e disse só mexem na minha casa quando eu morrer! Imagina querem me colocar num quarto na casa de um deles e passarem raiva comigo. Mas já falei, a aposentadoria do meu marido é minha; o dinheiro de um dos aluguéis dos meus três apartamentos, uso para pagar a faculdade de medicina de Bianca, única neta esforçada e pago meu plano de saúde e meu pessoal que me ajuda no dia a dia. E você, é formado, faz o que da vida?

- Eu sou bailarino.

- Bem que vi que tem porte. E resolveu tentar a vida aqui. Já morou no exterior? Sua fala é bem diferente.

- Eu cheguei da França há umas três semanas.

- Fez carreira lá, que bacana! Como é trabalhar Paris?  Deve ser uma cidade incrível.

- Eu fiquei só a primeira semana em Paris, depois eu me mudei para Toulouse, ao sul da França.

- Quanto tempo vice morou lá? Não parece confortável falando sobre isso.

- Eu fiquei dois anos. Um pouco mais talvez.

- Não conseguiu trabalho! Parece triste, desculpa! Não deveria te encher de perguntas.

- Não. Não é isso! Eu deixei pessoas ali e que por um lado, foi muito bom e por outro, eu não tive o que eu pretendia conquistar!

Sai da casa de Beth pensativo, mas aliviado por ela não me encher de perguntas referente a família de Fabiana. Quando cheguei em Paris, foi como um sonho, cheguei a ir em algumas audições no primeiro mês e consegui um trabalho como garçom, mas Eduardo sumiu que deveria tentar Toulouse e eu, apaixonado, fui. Mal sabia eu, que em uma das audições era fake, e eu conversei com jurados que na verdade estavam me testando para o meu comprador, eu deveria ter prestado atenção nisso enquanto ainda estava com a posse do meu passaporte.

Capítulos
1 Mudança
2 Recomeço
3 Vida de pai
4 Breno
5 Depois
6 Vida social
7 Conhecendo Beth
8 O encontro com os vizinhos
9 Um pai
10 Um pouco de mimo
11 Final de noite perfeito
12 Abusado
13 Curtindo a minha nova vida
14 A queda
15 Choque
16 Dividido entre dos polos
17 Arraial do Cabo
18 Arraial do Cabo — parte 2
19 Voltando a rotina
20 Um idiota
21 Um dia de sorte
22 Turbilhão de sentimentos
23 Café e vida alheia
24 Apaixonados
25 Aprendendo uma nova realidade
26 Escape
27 Encontros
28 Only love can Hurts like this
29 Traços perfeitos
30 Usando a mesma escova
31 Realizado e feliz
32 O passado dando as caras
33 Silêncio
34 Ele me faz tão bem
35 Pequenas surpresas do destino
36 Um passo um tanto irresponsável
37 Vontade e revelações
38 A coragem que precisava
39 Velhos alunos
40 A preocupação como prato principal
41 Ingratidão
42 Brigas e arrependimento
43 A dor de ser traído
44 Pervertidamente
45 Acalmando o coração
46 Cara a cara
47 Grand Battement
48 Cada vez mais perto
49 Colocando em pratos limpos
50 Caindo a ficha
51 Esquema
52 Espetáculo
53 Um noite para nós dois
54 Decisões, atitudes e sucesso
55 O mundo estranho de Breno
56 Tempos caóticos — Um pouco da história de Fabi
57 Cedendo
58 Um dia de praia
59 Tensão
60 Cruel
61 Novos ares
62 Desintoxicando
63 Reviravolta
64 Entre o passado e o presente
65 Me sentindo culpado
66 Voltando ao que interessa
67 Atitudes e retornos
68 Aceitando coisas novas
69 Encontro de milhões
70 Brigas e sentimentos
71 A regra do jogo
72 Aliança e notícia nada agradável
73 Encontros e pensamentos no futuro
74 Marcado
75 Um brilho para os meus olhos
76 Interesses e revelações
77 Um momento só nosso
78 Tomando atitudes
79 Sequestro
80 Decidido
81 Cárcere privado
82 O ataque
83 Um dia na vida de Breno
84 Indo embora
85 Retornando
86 Mudança de rumo
87 Ilusões perigosas
88 Turbulência
89 Um ano e meio depois...
90 Vick não, Pedro
91 Dia tenso e libertador
92 Finalmente
93 Dever cumprido
Capítulos

Atualizado até capítulo 93

1
Mudança
2
Recomeço
3
Vida de pai
4
Breno
5
Depois
6
Vida social
7
Conhecendo Beth
8
O encontro com os vizinhos
9
Um pai
10
Um pouco de mimo
11
Final de noite perfeito
12
Abusado
13
Curtindo a minha nova vida
14
A queda
15
Choque
16
Dividido entre dos polos
17
Arraial do Cabo
18
Arraial do Cabo — parte 2
19
Voltando a rotina
20
Um idiota
21
Um dia de sorte
22
Turbilhão de sentimentos
23
Café e vida alheia
24
Apaixonados
25
Aprendendo uma nova realidade
26
Escape
27
Encontros
28
Only love can Hurts like this
29
Traços perfeitos
30
Usando a mesma escova
31
Realizado e feliz
32
O passado dando as caras
33
Silêncio
34
Ele me faz tão bem
35
Pequenas surpresas do destino
36
Um passo um tanto irresponsável
37
Vontade e revelações
38
A coragem que precisava
39
Velhos alunos
40
A preocupação como prato principal
41
Ingratidão
42
Brigas e arrependimento
43
A dor de ser traído
44
Pervertidamente
45
Acalmando o coração
46
Cara a cara
47
Grand Battement
48
Cada vez mais perto
49
Colocando em pratos limpos
50
Caindo a ficha
51
Esquema
52
Espetáculo
53
Um noite para nós dois
54
Decisões, atitudes e sucesso
55
O mundo estranho de Breno
56
Tempos caóticos — Um pouco da história de Fabi
57
Cedendo
58
Um dia de praia
59
Tensão
60
Cruel
61
Novos ares
62
Desintoxicando
63
Reviravolta
64
Entre o passado e o presente
65
Me sentindo culpado
66
Voltando ao que interessa
67
Atitudes e retornos
68
Aceitando coisas novas
69
Encontro de milhões
70
Brigas e sentimentos
71
A regra do jogo
72
Aliança e notícia nada agradável
73
Encontros e pensamentos no futuro
74
Marcado
75
Um brilho para os meus olhos
76
Interesses e revelações
77
Um momento só nosso
78
Tomando atitudes
79
Sequestro
80
Decidido
81
Cárcere privado
82
O ataque
83
Um dia na vida de Breno
84
Indo embora
85
Retornando
86
Mudança de rumo
87
Ilusões perigosas
88
Turbulência
89
Um ano e meio depois...
90
Vick não, Pedro
91
Dia tenso e libertador
92
Finalmente
93
Dever cumprido

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