O quarto que divido com minha irmã, tem uma bela vista de toda Auravaine. Porém, com a chegada do crepúsculo, fica ainda mais bela a minha pequena cidade.
Era temporada de inverno, as ruas estavam cobertas por neve e estavam iluminadas por pequenas Led's brancas, pendurados nos postes. Enquanto observo tudo isso, um leve vento gelado toca a superfície da minha pele e balançava meus cabelos cor de sol, Fecho os olhos e aproveito a doce sensação que isso me trás.
Eu estava tão distraída que mau percebi que a Lua já estava aparecendo. Sinto uma leve pontada em meu peito e uma lembrança passa em minha mente, as vezes que Gabriel e eu passamos a noite olhando o céu estrelado.
" Por que fez isso comigo? "
Fecho a janela, olho para cada canto do quarto desorientada. Foi então que meus olhos cruzaram com Mary, ela estava se arrumando para a festa de noivado de hoje. embora esteja estampado no seu rosto o quanto ela " amava " a ideia de um casamento arranjado.
Sento na cama e tento me recuperar da dor que as lembranças me trouxeram, mas era inevitável, eu precisava me distrair, fazer qualquer coisa para esquecer aquele cretino!
– vou sair Mary, mas volto logo – Vou até a porta que ficava ao lado do espelho em que a Mary estava se maquiando.
– Não tenha tanta pressa maninha, eu não teria. Essa festa vai ser um tédio – Ela gira os olhos e suspira.
– Mary, é sua festa de Noivado, como pode dizer isso ?
– Festa ?! - Mary para o que estava fazendo e olha para mim séria - Para quê ? para celebra o dia em que serei levada para a prisão?
– Você vai se casar Mary! – Argumento – Para de ser dramática, não vai ser tão ruim assim.
– vou me casar com uma pessoa que não escolhi, que não amo. Tudo isso por um acordo idiota! – ela aperta o batom que segurava em sua mão com tanta força, que o quebra.
– O que você chama de acordo idiota, foi o que trouxe a paz durante dez anos! Nosso pai não pode defender o território Mary! Pare de ver apenas seu lado e veja o dos outros também! Todo Clã depende disso.
Apesar de ser a irmã mais nova, tinha bem mais cabeça que a Mary. Porém nem sempre foi assim, eu tive que aprender da pior forma possível ser responsável.
– Há que preço Verônica ?! Eu não decidi nada disso, não pude dizer que era isso que eu queria, Aonde está minha liberdade nisso? - resmunga.
– Vai por mim, é melhor assim! Eu sei o preço da escolha... E eu paguei caro! Ele me abandonou sem nem pensar duas vezes, foi egoísta!
– Você não superou o Gabriel, não é mesmo?! – Ela levanta uma das sobrancelhas – Por favor Verônica, tem outros lobos por aí...
– Não mude de assunto! Estou falando de você, não de mim! Se não é pelo amor que vai se casar com ele, por favor que seja pelo Clã! Todos precisam que o acordo continue.
Mary fica em silêncio, pois sabia que não podia me convencer, mas de certa forma ela tinha razão. E difícil se casar com alguém que mau conhece, que não ama. Mas o que ela precisa entender é que, a vida exige sacrifícios, as vezes grandes, as vezes pequenos, dolorosos ou não, mas tudo para o bem maior.
– Pense nisso enquanto estiver fora - Olho para ela pela última vez, antes de sair, em seguida fecho a porta e desço os degraus da escada diretamente para a sala.
Assim que chego, me deparo com uma maravilhosa decoração, digna de uma bela festa de noivado. Apesar de ser uma festa íntima, onde só terá no máximo 10 ou 12 pessoas.
Enquanto meus olhos passeiam ao redor, acabo me encontrando um homem que já passou dos quarenta, sentado em uma cadeira de rodas. Ele estava tentando consertar uma parte da decoração que tinha caído da parede, mas não conseguia, porque era alto de mais e a cadeira o limitava. Mesmo assim, quase caindo ele tentava colocar de volta a luzes que tinham se soltado.
– Eu faço isso pai - falo já colocando a mão na decoração e colocando de volta no seu lugar - pronto.
Olho para o lado, e vejo que ele parece meio chateado, não comigo, com a condição em que está. Ele detestava não conseguir fazer coisas simples, que a dez anos faria de olhos fechados.
– Obrigado.... – ele parece confuso, pois não sabia com quem estava falando ao certo. já que eu e minha irmã nos parecemos muito, ao ponto de ficar difícil diferenciar quem é quem.
– Verônica pai - me identifico
– Claro! – Ele sorrir – Depois de tantos anos, eu ainda não sei diferenciar vocês duas.
Enquanto ele sorria, sentia uma enorme satisfação. Nunca quis que ele se torne-se um homem amargurado por ter perdido a esposa, criado às filhas sozinho e ainda por cima não conseguir andar.
– Pai eu vou sair, vou dar uma volta na floresta, mas logo vou está de volta para receber os convidados.
– Na floresta?! – ele recebe a notícia com desaprovação – mas minha filha...
– Por favor pai, eu preciso me distrair – falo manhosa.
– Tudo bem, só tome cuidado com as armadilhas do Clã Reizer.
– Tomarei cuidado – Abro um sorriso, e o beijo na testa bastante Eufórica.
Corro pela porta e à abro, sinto o vento frio da neve tocar minha pele, junto com a luz do luar.
Sem perda de tempo, desço os dois degraus da varanda, abro o portãozinho de madeira. Saio correndo pela rua, em seguida me transformo em minha forma de loba, e saio correndo em direção a floresta.
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Atualizado até capítulo 90
Comments
patricia033096@gmail.com
essa plataforma está toda modificada, gosta mais quando tudo era simplificado /Grimace/
2024-09-20
1
Silvana Foleto
os lobos tem sua companheira porque vai casar sem ser companheira
2024-08-28
7
Ingrid Natassia Nascimento de Brito
corro para a porta e a abro, pela porta seria se ela já estivesse aberta 😉
2024-07-05
2