Antes Da Tempestade
...Anastasia Mancini, 19 anos...
Londres sempre parecia calma nas manhãs de primavera. O céu acinzentado começava a se abrir lentamente enquanto os primeiros raios de sol atravessavam as nuvens e tocavam os telhados elegantes da cidade. As ruas ainda estavam tranquilas, com poucas pessoas caminhando apressadas para seus trabalhos, enquanto o som distante de carros começava a preencher o ar.
No elegante bairro de Kensington, uma casa de arquitetura clássica se destacava entre as demais. Era ali que a família Mancini vivia. A casa não era extravagante, mas tinha um charme acolhedor.
Grandes janelas deixavam a luz entrar na sala de jantar, iluminando a mesa onde quatro pessoas já estavam reunidas para o café da manhã. O cheiro de café fresco e pão quente preenchia o ambiente.
Elena (mãe): Ana, você vai se atrasar para a universidade.
...Elena Mancini...
Disse com um sorriso gentil, colocando uma xícara de café diante de mim. Levantei o olhar do caderno que estava revisando. Meus cabelos caíam suavemente sobre meus ombros, e meus olhos atentos demonstravam a concentração de alguém acostumada a se dedicar completamente às coisas que fazia.
Ana: Eu só estou terminando de revisar esse relatório.
Respondi calmamente, do outro lado da mesa, Luca bufou.
...Luca, 11 anos...
Luca: Você estuda demais.
Ergui uma sobrancelha para o meu irmão mais novo.
Ana: E você estuda de menos.
Luca abriu a boca para responder, mas Roberto riu antes que qualquer discussão começasse. O homem observava os filhos com um olhar caloroso, embora houvesse algo cansado em suas feições que apenas alguém muito atento poderia perceber.
Roberto: Vocês dois são impossíveis.
Disse ele, pegando sua xícara de café, Elena suspirou, mas sorria.
Elena: Pelo menos a casa nunca fica silenciosa.
Nós sempre fomos assim, unida e amorosa.
Roberto havia construído sua empresa com anos de esforço e dedicação. O Mancini Group não era um império empresarial, mas era respeitado no mercado de arquitetura e construção. Ele sempre teve orgulho de tudo o que construiu, e principalmente da família que formou.
Eu sempre fui sua maior alegria, desde pequena eu mostrava uma inteligência impressionante e uma sensibilidade rara. Sempre fui gentil com todos, responsável e sempre disposta a ajudar.
Terminei meu café e me levantei para sair. Meu pai me observou por um momento.
Roberto: Ana.
Virei-me para ele.
Ana: Sim, pai?
Ele hesitou, como se quisesse dizer algo a mais, mas apenas sorriu.
Roberto: Tenha um bom dia.
Retribuí o sorriso.
Ana: Você também, pai.
A porta se fechou alguns segundos depois, e por um instante, Roberto permaneceu olhando para o espaço vazio onde eu estivera. Seu sorriso desapareceu lentamente, Elena percebeu imediatamente.
Elena: Roberto...
Ele suspirou.
Roberto: Não é nada.
Mas, no fundo, ele sabia que algo não estava certo.
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Dante Rockefeller
Muito longe dali, em outra parte de Londres, um mundo completamente diferente despertava.
A mansão Rockefeller se erguia imponente em uma enorme propriedade cercada por jardins perfeitamente cuidados. Tudo naquele lugar exalava riqueza e poder.
Dentro da casa, a sala de jantar era enorme, decorada com móveis sofisticados e uma longa mesa de madeira escura. Ali também uma família se reunia para o café da manhã.
Edward: Dante ainda não acordou?
Perguntou Edward, ajustando os botões do paletó enquanto lia algumas mensagens no celular.
Victoria suspirou levemente.
Victoria: Ele chegou tarde ontem.
William soltou uma pequena risada.
William: Como sempre.
Adrian, sentado ao lado do irmão, deu de ombros.
Adrian: Pelo menos ele é consistente.
Elizabeth, ou simplesmente Liz, tomou um gole de suco enquanto observava os irmãos.
Liz: Vocês são péssimos.
Edward colocou o celular sobre a mesa.
Edward: Ele tem vinte e cinco anos.
O tom de sua voz era calmo, mas havia uma firmeza inconfundível ali.
Edward: Está mais do que na hora de começar a levar a vida a sério.
Nesse momento, passos ecoaram no corredor.
Dante Rockefeller entrou na sala.
Seu cabelo estava levemente bagunçado, como se tivesse acabado de sair do banho. Vestia roupas simples, mas mesmo assim havia algo naturalmente elegante em sua presença. Ele passou a mão pelos cabelos enquanto se aproximava da mesa.
Dante: Bom dia para vocês também.
William ergueu uma sobrancelha.
William: Bom dia? Já é quase meio-dia.
Dante puxou uma cadeira e se sentou.
Dante: Para mim ainda é manhã.
Liz riu, Victoria lançou um olhar para o filho.
Victoria: Você deveria descansar mais.
Dante pegou uma xícara de café.
Dante: Eu descanso quando estou morto.
Edward observava o filho em silêncio, havia algo no olhar dele, uma mistura de preocupação e expectativa. Dante era inteligente, brilhante, na verdade. Mas parecia não ter nenhum interesse em assumir o lugar que um dia seria seu na empresa da família.
E Edward não podia permitir isso, ele havia construído um império, e precisava de alguém para continuar seu legado.
Naquele momento, nenhum deles imaginava que seus destinos estavam prestes a se cruzar, muito menos que um simples acordo mudaria completamente suas vidas.