Ainda dá Tempo ...
Ainda dá tempo
Analu Soares…
Eita que mais um dia se vai, e não sei o que vou fazer da minha vida, estou na janela do meu quarto olhando para o longe, estou pensando, mas parece que, no fundo, não tenho o que fazer, meu nome é Analu Soares, até um tempo atrás era Soares Alencar, mas agora só Soares tudo por causa do safado do Alan que deu a louca e se e achou jovem demais para pular a cerca, mas tudo bem o que posso fazer?
Minhas filhas embora de maiores e casadas ainda tem vontade de arrebentar a cara do pai, mas não deixei, criei elas respeitando o ele, tenho 3 filhas, Felipa é a mais velha, depois vem Felicia e a Taís a caçula, todas casadas e com filhos, no caso a mais nova agora está gravida, mas aquele babaca tinha que aprontar logo antes do Natal?
— Ai! Já chega não vou fica mais um dia neste quarto sentindo pena de mim mesma, já deu aposto que aquele safado esta se divertindo porque fiquei sabendo disso, não aceito ficar assim. — Me levanto e vou no banheiro tomar um banho, não dá, sou uma mulher jovem bonita, não vou ficar assim, fui tomar meu banho, saio de roupão e encontro minha caçula sentada na cama.
— Mãe…
— Oi, minha linda, o que faz aqui? Perguntei curiosa.
— Eu estava preocupada, bati na porta e não ouvi resposta.
— Ei não fica assim, não serei a primeira mulher a levar um par chifres do marido.
— Mãe não fala assim — Ela respira fundo e vou até o closet pegar uma roupa, lá eu já troco de roupa e volto para falar com ela.
— Taís, não precisa ficar preocupada, estou bem e, além disso, você nem era para estar aqui, esqueceu que esta grávida.
— Mãe gravidez não é doença, e também o Diego foi trabalhar, eu iria ficar sozinha em casa, é melhor ficar com a minha mãe querida que, no fundo, está precisando de um colo não é? — Ela fala com sorriso, eu sei que minhas meninas estão sofrendo, mas é por mim, vou até ela e a abraço, sento com ela na cama e seguro suas mãos.
— Escuta meu bebê, a mamãe está bem, só um pouco perdida, pois foram quase 30 anos de casada, morando com um homem que pensei que seria para sempre, dei uma parte da minha vida para ele, dei 3 filhas lindas que nos deram netos lindos, então fica muito dolorido mesmo, vou ficar perdida por um tempo, mas vou melhorar ainda dá tempo… de ser feliz com vocês, e, além disso, temos um Natal pela frente, precisamos começar a pensar nas decorações, a árvore de Natal e o ano-novo.
— Mãe, como pode pensar nisso agora depois de tudo que aconteceu?
— Taís, minha filha, aconteceu, já passei muitos dias trancada neste quarto, não posso ficar assim, minha loja esta nas mãos da Cris, não é responsabilidade dela, é minha, e outra o seu pai já esta se divertindo por aí e eu tenho que está dentro deste quarto trancada?
Ela me olha com os olhos marejados, eu entendo que é preocupação dela, mas preciso reagir.
— Tudo bem, mãe, na verdade, eu estou tão triste…(funga)
poxa a senhora não merecia, ajudou tanto ele, e agora ele apronta. — Sinto minha pequena muito magoada, puxo ela para um abraço.
— Ei, vamos fazer assim, vamos combinar com suas irmãs e seus cunhados, e fazer um Natal juntos, e o Ano Novo agente vê pra onde vai, o que você acha? — Ela me dá um sorriso com os olhos ainda vermelhos e me abraça.
— Tudo bem, agora vamos às compras, mas preciso passar na loja antes e depois a gente começa comprar a decoração de Natal.
— Tudo bem, vamos pegar minha bolsa la embaixo.
— Tá certo, vamos lá. — abraço ela e vamos em direção ao Shopping, onde eu tenho uma loja de roupas femininas, para todas as idades e tamanhos, nos últimos meses os tamanhos para Plussize tem crescido muito, temos feito muito sucesso, como tudo aconteceu e eu não estava com cabeça para fazer nada, minha amiga e sócia que assumiu pra mim.
Eu não queria sair de casa de jeito nenhum, mas agora eu decidi não vou ficar presa, estou viva e quero recomeçar ajudando minhas filhas com meus netos, embora eu seja nova, já tenho netos, tenho 48 anos, me casei cedo e tive minhas filhas cedo, tudo meninas são meu coração dividido em 4 pedaços fora do peito.
Chegamos no shopping, falamos com os seguranças e fui direto para minha loja, la falei com minha amiga e sócia estávamos já nos despedindo, quando uma menina entra correndo e assustada.
— Me ajuda, socorro! — Nem tivemos tempo, quando uma mulher entrou atrás dela a agarrou, a puxando pelo braço com tanta força que pensei que iria quebrar, pois a menina é bem pequena, aparenta ter uns 8 anos.
— MAITÊ! VEM AQUI! — Foi muito rápido, entrei na frente dela tirando a menina das suas mãos.
— Ei! Você ta louca! Não se deve tratar uma criança desse jeito, maluca!
— Você não se meta, isso não é da sua conta.
— Não sei quem você é, mas não vai levar ela daqui. — A menina tremia atrás mim, Taís chegou nervosa.
— Mãe, o que esta acontecendo? Quem são?
— Não sei filha, mas vou descobrir. — abaixo na sua altura e falo com a menina que chora, seu coraçãozinho está disparado.
— Meu anjo conta pra tia Ana, quem é essa mulher que está atrás de você? Não precisa ter medo. — Ela respira um pouco e fala.
— Tia ela não é nada minha, só uma bruxa que está atrás de mim. — Ela fala e me abraça, nossa ela esta desesperada, levanto com ela abraçada a mim.
— Escuta aqui se você não me explicar quem é você e porque esta criança entrou na minha loja neste estado, vou chamar a polícia. — A mulher me olha com cara de deboche.
— Primeiro isso não é da sua conta, essa menina não é tão santa quanto parece, e já chega, não tenho que te dar explicações, vamos logo Maitê, não tenho todo o tempo do mundo para os seus chiliques e pirraças. — Ela avança sobre a menina puxando o seu braço, e aí vira uma confusão, as clientes olham assustadas e eu tentando segurar a menina.
— Solta ela, sua louca! — Quando de longe eu escuto um grito rouco e alto!
— LARGA ELA DÁRIDA! — Todos pararam na hora e ele entrou caminhando e parou na minha frente olhando para a mulher, foi tão rápido que não consegui ver o seu rosto, mas pude ver a sua nuca e seu porte alto, me senti minúscula perto dele, e o principal senti o seu perfume, voltei a realidade ouvindo sua voz maravilhosa.
— O que pensa que está fazendo? Como você se atreve a machucar a minha filha! — Ele questiona a mulher que está visivelmente sem graça e nervosa.
— Francisco querido, a Maitê é uma criança difícil, ela saiu correndo, e veio parar aqui nesta loja e estas pessoas estão achando que sou uma estranha pra ela.
Ela fala, mas parece que ele não está disposto a ouvi-la.
— Onde está a babá dela? Como você se aproximou da minha filha? — Ele se virou de frente e nos olhamos, parecia que tempo tinha parado, seus olhos escuros, me chamou a atenção, mas logo ele se virou para menina.
— Maitê, querida, onde está a Lívia? — Ele pergunta pegando ela do meu colo.
— Ela foi embora papai, ela me disse pra ficar com Darida que depois o senhor iria me buscar, mas eu não queria e sai correndo pra cá, a tia Ana que me ajudou. — Que dó dela falando pelo que deu pra entender que a babá largou a menina com a louca e foi embora.
— Tá bom, princesa, papai já vai resolver isso. — Ele fala e dá um beijo na bochecha da menina e põe ela no chão e vira pra mim.
— Senhorita…
— Ana papai. — Ele dá um sorriso e que sorriso minha gente.
— Senhorita Ana poderia olhar minha filha alguns minutos, por favor? — Gente que voz.
— S… simm… pode deixar, eu cuido dela. — Ele se despede da menina, e pega a louca pelo braço e tira da loja, a pequena se vira pra mim com um sorriso e agora percebi ela está faltando um dentinho, que coisa linda.
— Olá princesa, como se chama? Está mais calma agora?
— Eu me chamo Maitê.
— Prazer Maitê, meu nome é Analu, ou tia Ana se você quiser me chamar assim. — Dou um sorriso pra ela que retribui, e ficamos ali esperando o pai da menina voltar, “Tatá” desistiu de ver a decoração, hoje acabou ficando enjoada com a confusão, mandei ela pra casa e continuei na loja.
Coloquei a Maitê perto do caixa, dei papel e canetinhas pra ela, desenhar, chegou uma certa hora dei um lanche também, vi que ela estava ficando cansada levei ela para o meu escritório para dormir um pouco, quando estava acabando o atendimento, ele chegou, mas lindo do que nunca, olhos escuros, bem arrumado e cheiroso dava pra sentir seu perfume de longe, ele veio até a mim, me senti estranha, ele parou na minha frente.
— Srta. Analu onde está minha filha?
— Ela está descansando no meu escritório, por aqui. — Levo ele até onde Maitê está, ele vem atrás de mim, sinto seus olhos em minhas costas.
— Eu não a conhecia, como nunca via s senhorita por aqui. — Me surpreendo com sua pergunta e olho pra ele.
— Eu trabalho aqui já tem um tempo, senhor…
— Oh, desculpe minha cabeça, tantas coisas, muito prazer sou Francisco Tavares. — Ele aperta minha mão e eu sinto um choque, um algo diferente, fico logo vermelha.
— Ah, o Sr. é o Francisco Tavares? Dono do Shopping? — Ele deu um sorriso de lado e que sorriso, eu preciso me controlar, pareço uma menina, não uma mulher de 48 anos.
— Bom esse sou eu (risos), mas quero agradecer pelo que fez pela minha filha, Maitê fica muito sozinha e este período é pior ainda.
— Desculpa pela minha intromissão, mas por quê?
— Não tem problema, na verdade, a mãe da Maitê faleceu quando ela tinha uns dois anos, e eu tenho tentado cuidar dela, meus pais até me ajudam, ela fica a maioria do tempo com as babás, e quando chega este período de Natal, ela pela idade se sente mais carente, eu trabalho e infelizmente não tenho muito tempo.
Nossa, que dó dessa garotinha, estou com o coração dolorido por ela.
— E para piorar demiti a Lívia, ela recebeu uma quantia para deixar a Maitê com a Dárida, mas minha filha nunca foi com a cara dela, e aí tudo isso aconteceu.
— Eu te entendo, filhos é assim mesmo, sou mãe e priorizo muito as minhas bebês. — Ele me olha assustado.
— Você ainda tem bebês? — Eu dou uma gargalhada baixa, pois a Maitê esta dormindo.
— Na verdade, estão todas casadas, eu tenho 3 filhas e já sou avó, a minha caçula estava comigo na hora da confusão, como ela esta grávida se sentiu um pouco mal e foi embora, mas para mãe podem ser adultas, serão sempre nossos bebês. — Ele me olha com um brilho diferente nos olhos e ficamos ali nos encarando, parecia que não desgrudavam nossos olhares, mas fomos interrompidos por uma Maitê bem sonolenta...
— Papai… — Ele olha pra ela e vai em sua direção pegando ela no colo.
— Oi, bonequinha do papai, vamos pra casa.
— Vamos sim. — Ela se vira pra mim. — Tia Analu posso voltar? Gostei da senhora?
— Oh, minha linda, claro que sim, sempre quiser vir pode, sim, fiquei muito feliz em te conhecer. — Dou um abraço nela, e um beijo em sua bochecha e ela deita no ombro do pai.
— Mais uma vez obrigada pelo cuidado com minha filha, Analu, eu te agradeço. — Ele vem e me dá um beijo na minha bochecha e demora, eu fico meio sem jeito, e ele se afasta com a menina no colo e vai embora, eu fico na porta da loja olhando e sou desperta pela Cris.
— Que gato hein, até eu ficaria toda me babando por ele.
— Oh, mulher, você tá louca! Que susto!
— Estava no mundo da lua, Ana? Mas com um homem desse até eu fico, descobriu o nome dele?
— Sim e você nem acredita quem é ele? — Faço um drama, Cris fica roxa de curiosidade.
— Não faz assim, Ana me conta, você é muito má. — Acho graça da cara que ela faz.
— Tá bom, ele é o novo dono do Shopping.
— Aquele das empresas Tavares?
— Sim, ele mesmo, que coisa hein, acabamos de conhecer o dono do nosso espaço.
E continuamos conversando sobre o Francisco, achei um homem lindo, mas já deve ter suas peguetes, jamais vai querer assunto com uma mulher como eu.
Oi gente voltei,🥹 mas só para apresentar esta loba linda, ela veio pra mostrar que existe sim uma segunda chance, agora quem está no comando é essa loiríssima maravilhosa 😍.
Espero que gostem da Analu, pois a passagem dela é bem rápida.
Então Amoras vamos comigo nesta nova viagem:
“ Recomeço no Réveillon” .
Beijos da Rainha 💋😘😚