Bem-vindos à Garra Ancestral 🐺✨
Nota da Autora:
Olá, queridos leitores! Sejam muito bem-vindos ao universo de "De Humana a Luna: A Força do Laço".
Preparem seus corações, pois estamos prestes a entrar em uma história de superação, segredos sombrios e um amor predestinado que nem a magia mais cruel pôde apagar.
O que esperar desta jornada?
Uma Protagonista Resiliente: Maeve Vésper foi chamada de "anomalia" e "humana" por anos. Ela sofreu em silêncio, mas sua mente é sua maior arma.
Um Alfa Implacável: Ragnar Varik não é apenas um líder forte; ele é o único capaz de ouvir o grito da loba que foi trancada dentro de Maeve.
Vilões que você vai amar odiar: Preparem-se para passar raiva com a inveja de Elowen e as tramas da família Lincan.
Mistério e Magia: Por que a loba de Maeve foi selada? Quem realmente ganha com o seu silêncio?
Romance de tirar o fôlego: O laço de alma entre um Alfa e sua Luna é absoluto, intenso e protetor.
Nesta história, vamos provar que o destino pode até ser retardado pela ganância, mas ele nunca pode ser impedido. Quando o osso quebra e o espírito desperta, ninguém consegue segurar a força de uma loba que foi injustiçada.
✨ PEDIDO ESPECIAL DA AUTORA ✨
Escrever é uma jornada solitária, mas com vocês ela se torna mágica! Para que a história cresça e chegue a mais pessoas na plataforma:
Favorite a obra: Clique no gostei para não perder nenhuma atualização!
Comente: Eu amo ler as teorias de vocês sobre os personagens, sobre o que gostariam que acontecesse na trama e sobre o que estão achando de cada capítulo.
Obrigada por me darem a chance de caminhar com vocês por mais uma jornada que está apenas começando…
Para ajudar na imersão da leitura, selecionei algumas imagens da internet que chegam perto do que imaginei para os personagens. Espero que gostem das referências!
Prontos para o Capítulo 1? O uivo da montanha está chamando! 🌕
NARRADOR
O silêncio do quarto de Maeve era seu único aliado. Enquanto a maioria das garotas da sua idade na Alcateia Garra Ancestral estava lá fora, sentindo a adrenalina da corrida ou a conexão com a natureza, ela permanecia ali, mergulhada em pilhas de livros de história e biologia avançada.
POV: MAEVE VÉSPER
Meu nome é Maeve Melki Vésper. Tenho 21 anos e, tecnicamente, sou um erro da natureza.
— Maeve? Querida, o jantar está pronto — a voz da minha mãe, Amaris, veio do andar de baixo.
Eu conseguia sentir a vibração da sua loba, Hera, mesmo através das paredes.
Era um calor reconfortante, mas que também servia como um lembrete constante do que eu não tinha. Fechei meu notebook e suspirei. Olhei-me no espelho por um segundo: cabelos ruivos herdados da minha mãe e olhos castanhos que pareciam comuns demais para alguém que nasceu em uma linhagem de Betas.
Meu pai, Magnus, é um lobo formidável chamado Rocha.
E eu? Eu sou apenas Maeve. A "Humana".
Desci as escadas e encontrei meus pais na cozinha. O clima era o de sempre: amoroso, mas carregado de uma melancolia que eles tentavam esconder.
— Como foram os estudos hoje? — meu pai perguntou, forçando um sorriso enquanto cortava a carne.
— Produtivos. Terminei o módulo de bioquímica — respondi, sentando-me. — É o que me resta, já que não posso caçar com o bando.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Aos 18 anos, todos esperavam o meu despertar. A primeira transformação é um rito de passagem sagrado. Mas a dor nunca veio. Os ossos nunca quebraram para se refazer. A voz na minha mente permaneceu muda. Três anos se passaram e continuei presa nesta pele humana.
POV: MAGNUS VÉSPER
Dói ver minha filha assim. Eu sou o lobo Rocha, um dos Betas mais respeitados da Garra Ancestral, e minha única herdeira é tratada como uma pária lá fora. Sinto o cheiro da tristeza dela — um aroma de baunilha que se torna amargo toda vez que o uivo da alcateia ecoa pelas monthas.
Nós consultamos anciãos, curandeiros e até médicos humanos. "Gene recessivo", disseram alguns. "Maldição", sussurraram outros. Eu não me importo com o que ela é, mas me dói saber que, quando eu e Amaris partirmos, ela não terá a proteção da alcateia. Sem uma loba, ela é o elo mais fraco. E lobos não têm piedade da fraqueza.
— Magnus — Amaris tocou meu braço por baixo da mesa, sentindo minha agitação. — O Alfa Ragnar voltará da fronteira amanhã. Haverá uma cerimônia e nossa família foi convidada.
Maeve travou o garfo no ar.
— Eu não vou — disse ela, firme.
POV: MAEVE VÉSPER
Ouvir o nome de Ragnar Varik sempre me causava calafrios. Nunca o vi pessoalmente.
Nossa casa fica afastada da sede da alcateia, quase no limite da floresta, e eu evito eventos sociais como se fossem a peste. Mas sua reputação o precede.
Dizem que o Alfa é um homem de 32 anos com uma aura tão esmagadora que até os lobos mais velhos baixam a cabeça. Dizem que é implacável, frio e que seu lobo negro tem o dobro do tamanho de um animal comum. Ele é o poder puro. E eu? Eu sou o nada.
— Você precisa sair um pouco, Maeve — minha mãe insistiu. — Ah, e o Stellan perguntou por você hoje.
Stellan. O único que restou.
Quando eu era adolescente, era popular. Tinha amigos, ia às festas, e Elowen era minha "irmã" de alma. Mas no dia em que fiz 18 anos e não mudei, a máscara dela caiu. O bullying começou com piadinhas e terminou com ela liderando o grupo que me chamava de "animal de estimação dos Betas".
A campainha tocou, quebrando meus pensamentos. Eu sabia quem era pelo cheiro de pinho e terra molhada que invadia a casa antes mesmo de a porta abrir.
— Falando no diabo — brinquei, vendo Stellan entrar na cozinha.
Stellan tem 25 anos, olhos verdes intensos e um sorriso que sempre tentava me reerguer. Seu lobo, Khan, era forte e leal.
— Preparada para a caminhada noturna, ruivinha? — perguntou ele, ignorando o clima tenso.
— Stellan, eu já disse que não quero ir à praça central.
— Não vamos para a praça. Vamos para o lago. Ninguém vai incomodar você lá, eu prometo.
Meus pais assentiram, quase implorando com os olhos para que eu fosse. Suspirei e peguei meu casaco. Stellan sempre foi protetor — às vezes, até demais. Eu sabia o que ele sentia; sentia o carinho de Khan vibrando nele, o desejo de que eu fosse sua companheira. Mas como eu poderia ser? Sem uma loba, eu nunca sentiria o "laço de alma". Se eu aceitasse Stellan e, depois, ele encontrasse sua verdadeira companheira, o que seria de mim? Eu não seria apenas uma sem-loba; seria uma mulher descartada. E eu tinha orgulho demais para isso.
POV: STELLAN MAYSON
Caminhamos em silêncio pela floresta. Mantive meus sentidos alertas. Maeve era frágil aqui fora, sem a cura acelerada ou os reflexos de um lobisomem. Mas, para mim, ela era perfeita. Era inteligente, rápida com as palavras e tinha uma força interna que nenhum daqueles idiotas que praticavam bullying jamais teria.
— Você está pensando nele, não está? — ela perguntou de repente.
— No Alfa? — Olhei para ela. — Sim. Ragnar é rigoroso. Mas ele é justo, Maeve. Se ele visse o quanto você é brilhante...
— Ele veria uma humana que consome recursos da alcateia sem dar nada em troca, Stellan. Não seja ingênuo. Na Garra Ancestral, ou você caça, ou é caçado.
Eu queria abraçá-la, dizer que a protegeria de Ragnar, de Elowen e de qualquer um. Mas Maeve odiava ser protegida. Ela queria pertencer.
De repente, um uivo poderoso rasgou a noite. Não era um uivo comum; era um comando. A frequência era tão baixa e potente que senti meus ossos vibrarem. Khan se encolheu dentro de mim em sinal de respeito.
— Ele chegou — sussurrei.
Maeve parou de andar, olhando em direção à mansão do Alfa, que brilhava ao longe no topo da colina.
— Ragnar Varik — ela murmurou o nome dele como se fosse uma maldição.
Eu não tive coragem de dizer, mas o conselho de anciãos estava pressionando o Alfa para "limpar" a alcateia, expulsando todos aqueles que não contribuíam. E o nome de Maeve era o primeiro da lista de Elowen, que agora era uma das informantes do conselho.
Olhei para Maeve, a luz da lua refletindo em seus cabelos ruivos. Ela era a pessoa mais inteligente que eu conhecia, mas neste mundo de dentes e garras, inteligência não impedia uma expulsão.
— Vamos voltar, Maeve — eu disse, sentindo um mau pressentimento. — O vento está mudando.
O que não confessei a ela foi que o cheiro trazido pelo vento não era apenas o da floresta. Era o cheiro de um predador alfa. E, pela primeira vez em anos, senti que o destino de Maeve estava prestes a colidir com algo muito maior do que ela poderia estudar em seus livros.
POV: MAEVE VÉSPER
Enquanto voltávamos, senti um par de olhos sobre nós. Não era o olhar maldoso de Elowen ou a pena dos vizinhos. Era algo pesado, como se a própria floresta estivesse me pesando. Olhei para trás, em direção às sombras das árvores centenárias. Por um breve segundo, vi dois globos dourados brilhando na escuridão. Um lobo? Não, era grande demais para ser um membro comum da nossa alcateia.
Antes que eu pudesse identificar, a visão sumiu.
— O que foi? — Stellan perguntou, com a mão já no cabo da faca que carregava na cintura.
— Nada. Só... a sensação de ser observada.
NARRADOR
Maeve mal sabia que, no topo daquela colina, o homem que ela tanto temia acabara de colocar os pés em seu território. Sua existência "anormal" já estava no radar de Ragnar Varik.
Sua vida de reclusa estava com os dias contados. Ela não tinha uma loba para se defender, então teria que usar a única arma que possuía: seu cérebro. Porque, na Garra Ancestral, a sobrevivência é para os fortes.
NARRADOR
A noite na Alcateia Garra Ancestral não trazia descanso para Stellan Mayson.
Enquanto o vento soprava as notícias do retorno do Alfa Ragnar, as sombras políticas moviam-se mais rápido que qualquer lobo em caçada. Stellan sentia o peso do mundo em seus ombros; ele era um guerreiro, mas sua maior batalha não era contra invasores, e sim contra um sistema que punia quem ele mais amava.
POV: STELLAN MAYSON
Khan, meu lobo, está inquieto. Ele arranha as paredes da minha consciência, uivando por uma fêmea que não tem voz na alcateia, mas que possui todo o nosso coração. É uma tortura silenciosa. Amar Maeve Vésper é como tentar segurar a luz do luar entre os dedos: você sente o brilho, mas não pode protegê-la da escuridão que vem com o amanhecer.
Eu sei o que dizem nos corredores da mansão. A "limpeza" é iminente. Ragnar Varik já não é conhecido pela benevolência e, sob a pressão do Conselho, será ainda pior. Eles falam sobre cortar os ramos secos da árvore da linhagem. E, para eles, Maeve é um ramo seco.
— Você devia parar de olhar para a casa dos Vésper com essa cara de cachorro abandonado, Stellan.
A voz aguda de Elowen me tirou dos pensamentos.
Ela estava encostada em uma árvore próxima à praça central, exibindo um sorriso presunçoso que me causava náuseas. Elowen, embora mais velha que Maeve, costumava ser sua sombra, a amiga inseparável. Agora, ela era a ponta da lança que tentava perfurá-la.
— O que você quer, Elowen? — rosnei, sem esconder a vibração de Khan em minha voz.
— Só avisar que o tempo da sua amada acabou. O Alfa recebeu a lista hoje. Eu mesma fiz questão de colocar o nome dela no topo, com notas detalhadas sobre a falta de utilidade prática dela para o bando.
Senti o sangue ferver. Aproximei-me, minha altura intimidando-a por um segundo, mas ela não recuou.
— Por que, Elowen? Vocês eram como irmãs. Eu sei que você guardou rancor quando não quis ficar com você por amar a Maeve, mas isso faz anos. Você já seguiu em frente, ou ao menos finge que sim. Por que continuar esse massacre?
Elowen soltou uma risada seca, desprovida de qualquer humor.
— Ah, Stellan... você é tão convencido. Eu não odeio a Maeve por causa de um "fora" que você me deu. Eu me aproximei dela porque você estava sempre por perto, e eu queria estar perto de você. Mas agora? Meu alvo é muito maior. Eu quero o Alfa. E Ragnar não tolera fraqueza por perto. Ser amiga de uma humana me diminuiria aos olhos dele. Sendo assim, eu não preciso mais dela.
— Entendo — respondi, sentindo um desprezo profundo. — O problema não é o que falta nela, é o que ela possui. Você sabe que, mesmo sem uma loba, Maeve é dez vezes mais brilhante, corajosa e digna do que você jamais será. Você tem inveja da luz dela, Elowen. Acha que, ao apagá-la, poderá brilhar, mas continuará sendo apenas uma sombra.
Deixei-a falando sozinha e caminhei em direção à casa de Maeve. Meu peito doía. Eu queria protegê-la, queria lutar contra o Conselho, mas como se luta contra o instinto de sobrevivência de uma alcateia inteira?
POV: MAEVE VÉSPER
Meus livros de geografia e história estavam espalhados pela cama, mas eu não conseguia ler. As palavras eram apenas borrões. Tomei uma decisão: eu não iria sentar aqui e esperar que um homem de trinta e dois anos, que nunca me viu, decidisse se eu mereço ou não respirar o ar destas montanhas.
Eu sou Maeve Vésper. Falo três idiomas fluentemente, conheço a bioquímica da nossa espécie melhor do que qualquer curandeiro e entendo as engrenagens do mercado financeiro. Se aqui eu sou um erro, no mundo lá fora eu sou uma vantagem.
Ouvi batidas na porta. Era Stellan. Saímos para caminhar sob a luz da luar, longe dos ouvidos atentos da alcateia.
— Stellan, eu vou embora amanhã — anunciei, sem rodeios.
Ele parou bruscamente. A dor em seu olhar quase me fez recuar.
— O quê? Maeve, não. O Alfa acabou de retornar, eu posso falar com ele, seu pai pode...
— Não! — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava. — Eu não vou viver de esmolas, Stellan. Não vou viver da "piedade" de Ragnar Varik ou da caridade do bando. Eu tenho orgulho. Se eles me veem como uma humana, então irei para onde ser humana é o padrão, e não uma deficiência.
— Você não vai sobreviver lá sozinha... — ele começou, mas eu o cortei.
— Eu vou sobreviver muito melhor do que aqui, sendo chamada de "animal de estimação" e "anomalia" pela Elowen. Lá, ninguém vai esperar que meus ossos quebrem para que eu me transforme em outra coisa. Eu serei apenas Maeve.
POV: STELLAN MAYSON
Eu queria pegá-la nos braços e carregá-la para longe, para um lugar onde ninguém pudesse tocá-la. Mas eu sabia que Maeve odiaria isso. Ela era uma loba em espírito, mesmo que o corpo não acompanhasse.
— Me deixe ir com você então — pedi, com a voz rouca.
— Não. Você tem um lugar aqui, Stellan. Khan pertence à floresta. Você seria infeliz em uma cidade de concreto.
— Eu seria mais infeliz aqui sem você! — exclamei, segurando suas mãos. Estavam frias, porém firmes.
— Eu já me decidi. Amanhã, ao amanhecer, vou até a mansão do Alfa. Vou pedir uma audiência oficial para renunciar ao meu lugar na alcateia e exigir que ele libere os portões da fronteira. Se eu sair por conta própria, eles não terão o prazer de dizer que me expulsaram.
Ouvir aquilo foi como levar um soco de um Alfa. Ela ia enfrentar Ragnar Varik. O homem que personificava tudo o que ela temia e odiava.
NARRADOR
Os pais de Maeve, Magnus e Amaris, choraram durante toda a noite. Eles imploraram e prometeram falar com os anciãos, argumentando que o Alfa poderia ser convencido pela lealdade de Magnus ao longo dos anos. Mas Maeve foi irredutível.
Ela arrumou uma pequena mochila com o essencial: seus livros, algumas roupas e a coragem que vinha cultivando em três anos de exclusão. O sol começou a despontar no horizonte, tingindo o céu de um laranja sangrento. Era o dia da cerimônia de boas-vindas ao regresso de Ragnar a alcateia, mas para Maeve, era o dia da sua libertação ou da sua ruína.
Stellan a acompanhou até a base da colina onde a imponente mansão de pedra e madeira se erguia.
O cheiro de poder que emanava de lá era sufocante.
— Tem certeza disso? — Stellan perguntou uma última vez.
Maeve olhou para o topo da colina. Ela não tinha garras, presas ou a força de um monstro. Mas seus olhos castanhos brilhavam com uma determinação que faria qualquer lobo hesitar.
— Eu não vou esperar que eles me descartem como lixo, Stellan. Eu mesma vou abrir a porta e sair.
Ela começou a subir os degraus de pedra. Cada passo a levava para mais perto de Ragnar Varik — o Alfa que ela jurou evitar e o homem que agora detinha as chaves do seu futuro. Ela só precisava que ele a deixasse ir.
O que Maeve ainda não entendia era que, para um Alfa como Ragnar, algo tão raro e inteligente quanto ela jamais seria deixado para trás tão facilmente. A caçada estava prestes a mudar de forma.
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